Portugal repudiou esta quarta-feira o rapto de raparigas nigerianas e o massacre de civis perpetrados pelo grupo radical islâmico Boko Haram, manifestando disponibilidade para apoiar a Nigéria no combate ao terrorismo.

«Portugal condena firmemente os ataques terroristas que resultaram no rapto de mais de 200 jovens estudantes nigerianas, bem como o recente massacre de 375 civis na cidade de Gamburo, perpetrados pelo Boko Haram», lê-se num comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros, divulgado esta quarta-feira.

Para o ministério de Rui Machete, trata-se de «atos bárbaros» e «crimes contra os direitos humanos e a dignidade humana, que não podem ser justificados ou tolerados sob pretexto algum».

«É particularmente chocante que jovens vidas inocentes sejam comprometidas em nome de uma agenda de ódio e discriminação», refere ainda o chefe da diplomacia portuguesa, no comunicado.

«O Governo Português exige a libertação imediata das estudantes e manifesta a sua disponibilidade para apoiar as autoridades nigerianas na resolução deste caso e no combate ao terrorismo», acrescenta o comunicado.

O Executivo, através do ministério dos Negócios Estrangeiros, diz esperar que «os responsáveis por estes atos hediondos possam ser rapidamente detidos, julgados e condenados».

«A ponderação pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e pela União Europeia de medidas apropriadas contra o grupo terrorista Boko Haram merece o total apoio de Portugal», refere ainda.

A 14 de abril, o Boko Haram sequestrou 276 raparigas, cristãs e muçulmanas. Várias dezenas de adolescentes conseguiram fugir, mas 223 ficaram nas mãos do grupo radical islâmico, que já raptou depois mais algumas jovens.

Boko Haram, que significa em dialeto local «a educação não islâmica é pecado», luta pela imposição da «sharia», ou lei islâmica, na Nigéria, país de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristão no sul.

Desde que as forças de segurança nigerianas mataram, em 2009, o fundador e líder espiritual do Boko Haram, Mohamed Yusuf, os radicais intensificaram uma campanha sangrenta que já causou mais de três mil mortos.