Perto de uma centena de pessoas, envergando roupas vermelhas, concentraram-se este sábado à tarde em Lisboa para alertar para a situação das quase 300 raparigas raptadas por um grupo islâmico radical na Nigéria.

Os participantes na concentração empunhavam cartazes com a frase «#bring back our girls» («devolvam-nos as nossas meninas», a mensagem que a comunidade internacional tem divulgado para denunciar a série de raptos perpetrados pelo grupo Boko Haram) e vestiam roupas ou pulseiras vermelhas, a cor escolhida pelo movimento internacional «bring back our girls».

Os manifestantes, entre os quais se incluíam a eurodeputada Ana Gomes e a antiga secretária de Estado da Igualdade Elza Pais (PS), concentraram-se na Praça dos Restauradores e desfilaram até ao Rossio, recolhendo assinaturas numa petição promovida pela Amnistia Internacional, que pede às autoridades nigerianas um desenvolvimento nos esforços para libertar as jovens.

Andreia Nunes, do Grupo de Ativismo e Transformação através da Arte (GATA), que promoveu a ação desta sábado em Lisboa e no Porto, aplaudiu a participação popular: «Estamos muito felizes por ver, mais uma vez, que Portugal tem um povo muito solidário», disse, destacando também as «boas notícias da Assembleia da República», numa referência ao voto aprovado esta sexta-feira por unanimidade repudiando um «ato monstruoso».

«Estamos no bom caminho para despertar para esta causa. Seria bom não termos de fazer mais ações, seria sinal de que as crianças nigerianas teriam voltado sãs e salvas», declarou a ativista.

A eurodeputada socialista Ana Gomes considerou «importante que Portugal manifeste a sua solidariedade para que estas meninas sejam devolvidas às suas famílias, que devem estar a sofrer terrivelmente, tal como elas, e para criar consciência de que seja em nome do que for - e certamente não é em nome do Islão, que é uma religião de paz -, que estes atos não podem ser cometidos».

Ana Gomes salientou que o grupo terrorista Boko Haram «é uma filial da Al-Qaida» e sustentou que «estas ações miseráveis de rapto de raparigas, para além de todas as outras ações terroristas», resultam «do clima de impunidade que se vive na Nigéria».

«É um país importante, o mais populoso de África, tem pretensões de liderança regional, mas é um país onde o Estado é fraco, onde há terríveis violações dos direitos humanos e corrupção desenfreada. Tem havido tolerância para com este grupo, que tem uma agenda reacionária, obscurantista, terrorista», criticou.

Para a eurodeputada, a Europa «faz falta» em matérias como esta, para interagir com a União Africana e os países que «sofrem as ações terroristas deste grupo».

«São práticas de barbárie em pleno século XXI e devem levar todos nós a que nos unamos no sentido de repudiar o que aconteceu na Nigéria», defendeu a deputada socialista Elza Pais, que recordou que a Assembleia da República já aprovou um voto «pedindo que o Mundo se una no sentido de se poderem apanhar estes criminosos para serem condenados».

Para a ativista da Amnistia Internacional Marta Mourão, este «triste e trágico episódio» serve para chamar a atenção para o tráfico humano, que é «um problema muito mais vasto, que se arrasta há muitas décadas» e que, «a seguir ao tráfico de armas, é aquele que move mais dinheiro e mais poder, ainda mais do que o tráfico de drogas».

O grupo islâmico Boko Haram raptou, no último mês, mais de 200 raparigas no norte da Nigéria, que tem intenção de tratar como escravas, para vender e casar à força.

Ativo há cinco anos, o Boko Haram tem realizado inúmeros atentados ¿ são-lhe atribuídos mais de 1.500 mortos só este ano ¿ e ataques a escolas, liceus e universidades, mas os sequestros em massa de adolescentes são um facto novo.