Os autarcas da Comunidade Intermunicipal (CIM) de Trás-os-Montes continuam sem saber quais as escolas que o Governo pretende encerrar nos respetivos concelhos depois de uma reunião com a Direção Regional de Educação do Norte (DREN).

No final da reunião, que decorreu esta segunda-feira no Porto, o presidente da Câmara de Mirandela, o António Branco, afirmou à Lusa que a DREN «não adiantou nada» com o argumento de que «tem de ser o Ministério da Educação a divulgar essa informação».

Segundo o autarca social-democrata, a reunião já estava agendada há algum tempo e coincidiu com o anúncio do Ministério da Educação e Ciência de que vai fechar 311 escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico e integrá-las em centros escolares ou outros estabelecimentos de ensino, no âmbito do processo de reorganização da rede escolar.

Quais as escolas que constam desta lista, era o que os autarcas pretendiam saber, mas, de acordo com o presidente da Câmara de Mirandela, a reunião com a DREN «não serviu para nada».

Em Trás-os-Montes têm surgido posições de contestação ao encerramento de mais escolas desde que, em março, o ministério fez chegar aos municípios orientações para fechar escolas com menos de 21 alunos e jardins-de-infância com menos de 20 crianças, no próximo ano letivo.

A concretizar-se esta orientação, o concelho de Bragança, que é o mais populoso do Nordeste Transmontano, ficaria reduzido praticamente aos dois polos escolares da cidade.

O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, que não esteve na reunião de hoje no Porto - fez-se representar - garantiu à Lusa que não conhece a lista das 311 escolas anunciada recentemente pelo Ministério da Educação e, concretamente, a que diz respeito ao seu concelho.

O autarca social-democrata afirmou que ainda aguarda a resposta do ministério à contestação feita pelo município quando foram conhecidas as primeiras orientações do Governo.

Nesse cenário, Bragança perdia três escolas do ensino básico e três jardins-de-infância.

Hernâni Dias espera que a contestação seja aceite e que encerrem menos estabelecimentos, sem adiantar números.

Já o autarca de Mirandela, recusa «assumir qualquer responsabilidade» neste processo.

«Não me responsabilizo por esse processo», declarou António Branco, vincando que, se o Ministério da Educação avançar com os encerramentos, «que assuma tudo o que isso implica», incluindo os custos, nomeadamente de transporte das crianças.

António Branco sublinhou que «o encerramento pressupõe a transferência das crianças para melhores equipamentos», o que não é o caso de Mirandela que aguarda há quase três anos por verbas para renovar o «degradado parque escolar».