O Tribunal Judicial de Braga confirmou esta quarta-feira a condenação a três anos e três meses de prisão efetiva de um falso padre acusado de furto de arte sacra numa igreja daquela cidade e de burla ao respetivo reitor.

Aquela pena já tinha sido aplicada em março mas a defesa recorreu para a Relação, que anulou o acórdão, alegando falta de fundamentação, e remeteu o processo para a primeira instância, para elaboração de nova decisão.

O arguido foi condenado pelos crimes de furto qualificado e de burla qualificada, em ambos os casos agravados pelos elevados montantes em causa.

No caso do furto, o crime é ainda agravado pelo facto de se tratar de imagens de arte sacra subtraídas de uma igreja.

Hoje, após a leitura do novo acórdão, o advogado de defesa, Lima Martins, anunciou que irá recorrer novamente para a Relação, por considerar, desde logo, que não se provou que o arguido tivesse sido o autor do furto da arte sacra.

Lima Martins alegou também que não houve qualquer burla, porque o arguido, Agostinho Caridade, natural de Barcelos, apenas terá pedido dinheiro emprestado, sendo sua intenção devolvê-lo logo que possível.

Alegações que não colheram junto do Tribunal de Braga, que justificou a prisão efetiva pelos "vários" antecedentes criminais do arguido, já com condenações por burla informática, burla qualificada, condução ilegal e usurpação de funções.

Este último crime está relacionado com o facto de o arguido se ter feito passar por padre, tendo presidido a vários atos religiosos um pouco por todo o país, incluindo um casamento na Sé de Braga.

No processo hoje sentenciado, o tribunal considerou provado que o arguido furtou, em março de 2013, duas imagens da igreja de Senhora-a-Branca, em Braga, avaliadas em 7.500 euros.

Tentou depois vender as imagens numa casa da especialidade em Braga, mas a gerência desconfiou e chamou a polícia.

Agostinho Caridade pôs-se em fuga, deixando as imagens no local.

Antes disso, em julho de 2012, e a pretexto de um alegado tratamento de um filho em Cuba, terá pedido 7.200 euros emprestados ao reitor daquela igreja, que "condoído" lhe passou dois cheques, totalizando aquele valor.

Agostinho Caridade, que em tribunal se apresentou como sendo "chefe de cozinha", negou a prática dos factos.

Disse que não furtou as imagens, assegurando que elas estavam em sua posse porque trabalharia já há alguns anos como "intermediário" de um presumível comerciante de arte sacra, do qual apenas sabia chamar-se "Carlos".

Acrescentou que, na altura em que tentava vender as imagens, fugiu do local porque ficou "atrapalhado e envergonhado".

Quanto ao dinheiro que pediu emprestado ao pároco, confirmou que era para o tratamento de uma criança mas alegou que nunca disse que se tratava de um filho seu.

Admitiu que ainda não tinha devolvido o dinheiro, mas afirmou que dispunha de uma conta poupança-reforma na Alemanha e que estava a tentar que o banco o autorizasse a "mexer" nela para saldar a dívida.

Em maio de 2013, a Polícia Judiciária deteve-o, em Lisboa, apresentando-o como suspeito da prática dos crimes de furto de obras de arte e bens culturais religiosos, burla, falsificação de documentos e usurpação de funções.

Está detido desde essa data.