Uma mulher acusada de matar o companheiro à facada alegou esta quinta-feira, no Tribunal de Braga, que momentos antes do crime tinha sido agredida por ele, mas garantiu que «nunca» lhe «passou pela cabeça espetar-lhe a faca».

«Apenas o queria intimidar, para que ele me deixasse em paz, me parasse de agredir. Nunca me passou pela cabeça espetar-lhe a faca, nunca tive intenção de o matar», referiu.

A arguida, de 50 anos, admitiu que no dia dos factos, registados a 14 de maio de 2013, tanto ela como ele tinham estado a beber.

Segundo os exames realizados, o homem tinha uma taxa de alcoolemia de 1,16 gramas por litro de sangue e a mulher 0,98.

A arguida disse ainda que, momentos antes, ela já a tinha agredido com uma chave de fendas, já lhe tinha atirado vinho que tinha num copo e também já tinha tentado dar-lhe com um copo na cabeça. Contou que, nessa altura, estava com uma faca na mão e dirigiu-se ao companheiro dizendo-lhe «o que tu merecias era isto».

«Sempre pensei que ele se desviasse, mas ele não se desviou», referiu.

Garantiu que o companheiro era «ciumento compulsivo» e que «tinha mau feito por natureza», mas «quando bebia ficava possesso», agredindo-a física e verbalmente, de forma sistemática.

Quanto à faca que usou, teve um depoimento contraditório, começando por dizer que já a tinha na mão para descascar batatas, mas confessando posteriormente que já não se lembra se a foi buscar para «responder» às agressões do companheiro.

Apesar de haver no processo registo de uma anterior agressão dela ao companheiro também com uma faca, provocando-lhe um golpe no pescoço, a arguida negou que alguma vez tenha usado da violência.

«Nunca agredia, só me defendia», disse ainda, garantindo que eram frequentes «murros e pontapés» e que foi «várias vezes para o hospital com a cabeça partida».

Segundo a acusação, o crime registou-se na habitação do casal, em S. Vicente, Braga, na sequência de mais uma discussão entre os dois e numa altura em que tanto o homem como a mulher estavam «outra vez» alcoolizados.

A acusação refere que o homem terá atirado um copo de vinho à companheira e que esta respondeu esfaqueando-o no abdómen, usando de uma «violência» tal que lhe provocou «uma grande laceração» no fígado.

A faca utilizada tinha uma lâmina de 10 centímetros de comprimento e de dois centímetros de largura na sua base.

O homem foi transportado para o hospital ainda com vida, mas acabou por morrer no decurso da operação a que estava a ser submetido.

Após o crime, a mulher barricou-se em casa e ter-se-á tentado suicidar, através da ingestão de medicamentos. No dia seguinte, bombeiros e polícia entraram «à força» na habitação e levaram a mulher para o hospital, após o que foi detida.

Com um filho de 10 anos, que entretanto lhe foi retirado e confiado aos cuidados de uma tia, o casal consumia habitualmente bebidas alcoólicas e eram frequentes as discussões e agressões entre ambos.

A polícia foi chamada mais de uma dúzia de vezes à habitação e os vizinhos chegaram mesmo a promover um abaixo-assinado exigindo que o casal fosse «corrido» do local.