A Caritas de Braga registou, em 2008, um aumento de 150 pessoas com problemas de pobreza, número que tem crescido sempre nos últimos anos, disse, esta segunda-feira, à Lusa fonte do organismo.

José Pinto Dias, director da instituição, adiantou que o aumento do número de casos tem ligação com a chamada «pobreza envergonhada».

«Há pessoas que, com a actual crise, se sentem obrigadas a recorrer a apoio social, porque não têm outro remédio», sublinhou.

Almada: pedidos de habitação social duplicam

Em 2008, a Caritas serviu 5.573 refeições e deu apoio a 2.553 beneficiários do Projecto Atena, iniciativa que tem como objectivo promover a inclusão e a melhoria das condições de vida de grupos específicos particularmente confrontados com situações de exclusão, marginalidade e pobreza persistente.

O organismo atendeu 897 pedidos no roupeiro social, proporcionou 814 banhos nos balneários, prestou auxílio a 68 vítimas de violência doméstica, fez 21 empréstimos de camas e ajudou 18 beneficiários num projecto de formação.

Fez, ainda, 19 empréstimos de cadeiras de rodas, dois de canadianas, e realojou três pessoas sem-abrigo.

Angariação de fundos

A Caritas da Arquidiocese de Braga da Igreja Católica inicia esta segunda-feira um conjunto de acções de divulgação e angariação de fundos, no âmbito da Semana Nacional da Caritas, que, este ano, tem por lema «Se não tiver caridade, nada sou».

A estrutura, que vive sem apoio estatal, vai colocar uma tenda no centro da cidade de Braga, para receber as pessoas e mostrar-lhes o trabalho realizado e recolher donativos.

«Decidimos não fazer o tradicional peditório de rua, porque sentimos que as pessoas reagem mal», frisou.

José Pinto Dias anunciou também que a Caritas prepara o lançamento, a curto prazo, de um centro de apoio social, a Casa Alavanca - uma estrutura de resposta a situações urgentes de pobreza, que ficará sedeada no centro urbano da cidade.

A iniciativa de criação da casa partiu do Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, abordada na Mensagem para a Quaresma, onde propôs um «espaço capaz de recolher, durante todo o ano, tudo o que seja útil aos pobres (material) e que, para nós, seja desnecessário».

Ampliar refeitório

Esta nova valência vai possibilitar a ampliação do Refeitório Social bem como a criação de um local para acolhimento temporário de vítimas de violência doméstica.

A actividade da instituição visa também a distribuição periódica de géneros alimentares, medicamentos, fraldas de adulto e bebé, leite e enxovais de bebé e gás, de pagamentos de água, electricidade e rendas e ajuda na compra de próteses, viagens e óculos.