Notícia atualizada às 12:38

Um jovem de 15 anos, residente em Adaúfe, Braga, suicidou-se no último sábado, por alegadamente sofrer bullying na escola. O rapaz deixou duas cartas, uma à mãe e outra à namorada, onde eplicava as razões do suicídio.

Nélson frequentava a Escola EB 2,3 de Palmeira, onde recebia apoio psicológico. A escola não se pronuncia sobre o sucedido, mas, de acordo com o «Correio da Manhã» (CM), estão já a ser feitas diligências para apurar as suspeitas de bullying. Um amigo da vítima relata ao jornal que «uma vez até o puseram todo nu no recreio da escola».

Colegas e vizinhos afirmam que o rapaz se queixava com frequência e que falava muitas vezes em desistir.

O caso de Nélson traz à memória o de Leandro, o menino de 12 anos que se atirou ao rio Tua, em março de 2010, depois de ser maltratado por colegas de escola.

«É preciso apostar na prevenção»

Recusando-se a falar do caso em concreto, a Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) reage a esta notícia com preocupação e deixa o alerta para a necessidade de refletir sobre o assunto. «É um momento que nos obriga, mais uma vez, a pensar sobre o fenómeno do bullying nas escolas. Na sociedade em geral, mas sobretudo nas escolas. É preciso apostar na prevenção», alerta Jorge Ascenção, presidente do Conselho Executivo da CONFAP, em declarações ao tvi24.pt.

O responsável sublinha ainda a necessidade de mais técnicos especializados nas escolas públicas para se poder acompanhar de perto situações como a de Nélson. Jorge Ascenção vinca que a própria CONFAP tem levado a cabo sessões de esclarecimento junto da comunidade escolar sobre o assunto, mas que isso não chega. O dirigente alerta ainda que a situações como esta não são alheios os cortes no setor da educação: «podem não potenciar, mas não ajudam a evitar. A redução de psicólogos, de operacionais, o aumento de alunos por turma e também a dificuldade que a escola tem em envolver a comunidade potenciam a prevalência situações de bullying».

Jorge Ascenção acrescenta ainda a importância de se trabalhar com o agressor. «Temos, obviamente, de apoiar e proteger as crianças e jovens que são vítimas, mas quem precisa, muitas vezes, é o agressor», diz, alertando para a desvalorização de certas situações consideradas «normais entre crianças», que «degeneram em situações mais graves».

«A gravidade de cada situação depende de cada criança. Umas suportam melhor as agressões que outras», acrescenta.

5% dos portugueses assumem-se vítimas

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima - APAVpublicou, esta segunda-feira, no seu canal do Youtube, um filme que faz parte de uma campanha anti-bullying, levada a cabo em parceria com o Disney Channel Portugal. No vídeo, co-protagonizado pelas estrelas da série juvenil «Violetta», a APAV lança o apelo «Quebra o teu silêncio».

Mais de um quarto dos portugueses dizem conhecer alguém que já foi vítima de stalking (perseguição), cyberstalking (perseguição na Internet), bullying e cyberbullying (violência presencial e na Internet) e 5% assumem já terem sido vítimas. Uma sondagem da Intercampus, realizada em Julho de 2013 por solicitação da APAV, mostra que mais de 80% da população desconhece o significado de stalking.

A sondagem realizada através de 1014 entrevistas presenciais, mostra que na maioria das vezes tudo acontece em ambiente de escola (em 55% dos casos os agressores são colegas de escola). Mas também há situações (13%) em que o agressor é um vizinho ou mesmo um desconhecido (10%).