O Partido Nacional Renovador (PNR) repudiou esta quarta-feira a vandalização da estátua ao cónego Eduardo Melo, em Braga, e lembrou que o homenageado «nunca foi condenado por qualquer crime», tendo mesmo a Assembleia da República destacado os seus «relevantes serviços» ao país.

«Os "periodiqueiros" do regime, ao traçarem o perfil do cónego, enleiam-se em insinuações. Dizem que Eduardo Melo terá estado ligado a isto, associado àquilo e terá feito aqueloutra patifaria. Passam uma esponja democrática sobre este elemento fundamental: o clérigo nunca foi condenado por qualquer crime», refere um comunicado do PNR.

No sábado, um grupo de cidadãos de Braga colocou uma estátua ao cónego Melo numa rotunda da cidade, na segunda-feira houve uma manifestação exigindo a sua remoção da peça e na manhã de terça-feira o conjunto escultórico apareceu vandalizado.

No pedestal, foram pintadas a vermelho as palavras «fascista», «assassino» e «padre Max», tendo ainda sido lançada tinta azul que atingiu a própria estátua.

O PNR, além de condenar este ato de vandalismo, sublinha que existem no país várias personalidades homenageadas «com menos currículo».

Ordenado sacerdote em 1951, Eduardo Melo foi professor de Filosofia e doutorou-se pela Universidade de Salamanca.

Foi nomeado Cónego da Sé de Braga em 1972.

O PNR lembra ainda que, após a morte do cónego Melo, em 2008, a Assembleia da República aprovou um voto de pesar onde se afirma que «teve um papel decisivo na luta pela preservação das liberdades e pela instauração de uma democracia parlamentar».

Em 1988, o cónego Melo tinha recebido de Mário Soares a Comenda da Ordem de Mérito.

Os contestatários da estátua alegam que o cónego Melo «ficaria conhecido, após o 25 de Abril, por ter apoiado organizações de extrema-direita, apostadas no derrube do regime democrático, através de ações armadas que vieram a acontecer, com relevantes danos e vítimas humanas, e às quais deu cobertura moral e operacional».

Dizem ainda que o homenageado era «bem relacionado com o poder económico e político locais», tendo primado a sua ação «como intermediário de interesses privados» e usado a sua «capacidade de influência em favor dos amigos e daqueles que lhe eram subservientes».

Acusam-no de ter orquestrado «ataques a sedes de partidos democráticos, como o PCP, de sindicatos e de outras organizações de esquerda», e de ter apoiado atentados bombistas, «designadamente o que vitimou o padre Max».

Na Câmara de Braga, a colocação da estátua foi aprovada com os votos favoráveis da maioria socialista, enquanto os vereadores da coligação Juntos por Braga se abstiveram.