O jovem de 21 anos acusado de matar a ex-namorada e de esconder o cadáver no forno de uma antiga serração em Braga, em outubro de 2013, remeteu-se esta segunda-feira ao silêncio, no início do julgamento, no tribunal daquela comarca.

A vítima, uma jovem de 20 anos, esteve dada como desaparecida desde 11 de outubro de 2013 até 11 de janeiro último, data em que o corpo foi encontrado acidentalmente por um grupo de jovens que praticava paintball.

Atado de pés e mãos, o corpo estava no forno de uma antiga serração em Santa Lucrécia de Algeriz, em Braga, a 800 metros da casa do arguido.

A primeira testemunha ouvida pelo tribunal foi o namorado da vítima à data em que esta desapareceu.

Esta testemunha disse que, a 11 de outubro, ligou para a namorada e que esta, aflita, lhe pediu ajuda, caindo a chamada logo a seguir, para não mais conseguir estabelecer a ligação.

O arguido é acusado de homicídio qualificado e profanação de cadáver.

Segundo a acusação, o arguido nunca se conformou com o fim da relação que mantinha há três anos com a vítima.

Uma relação a que a vítima terá decidido pôr cobro depois de alegadamente ter sido agredida pelo arguido, num episódio em que também lhe partiu um telemóvel.

Uma colega da vítima testemunhou esta segunda-feira que a agressão aconteceu depois de o arguido ter tomado conhecimento de que a namorada não só trabalhava num bar de alterne como também teria um relacionamento com outro homem.

O arguido não de conformou com o fim da relação e continuou a enviar insistentemente mensagens à vítima.

Ainda segundo a acusação, o arguido, no dia dos factos, terá combinado encontrar-se com a ex-namorada, alegando que lhe queria dar um telemóvel novo.

No entanto, levou-a para uma antiga serração em Braga, onde terá tentado matá-la tiro, efetuando três disparos.

Como ela não morreu, atou-a de pés e mãos, asfixiou-a com um cabo de borracha, embrulhou-a num lençol e escondeu-a dentro de um forno.

A vítima tinha vindo para Portugal com a mãe e com o padrasto e andava a estudar na Escola Profissional de Braga.

Em 2011, os progenitores regressaram ao Brasil, alegadamente por o homem não ter conseguido autorização de permanência em Portugal, mas a filha ficou, para prosseguir os estudos.

Entretanto, a jovem começou a trabalhar num bar de alterne, em Famalicão, tendo também trocado de namorado, no verão de 2013.