A petição lançada no início de janeiro contra a venda de 85 quadros de Joan Miró, na posse do Estado português, e em defesa da sua disponibilização ao público, recolheu até hoje 4.948 assinaturas.

Iniciativa da Casa da Liberdade Mário Cesariny, do Coletivo Multimédia Perve, a petição tem como objetivo travar o processo de venda marcada para fevereiro deste ano, num leilão em Londres pela leiloeira internacional Christie`s.

Os promotores consideram que a venda, a ser concretizada, é «danosa e irreversível» para o país, e por isso levaram o caso a debate público nas redes sociais e à Assembleia da República.

Entre os signatários contam-se várias figuras ligadas à cultura, nomeadamente artistas como Alberto Pimenta, Cruzeiro Seixas, Manuel João Vieira, Albino Moura, Vitor Rua e as deputadas do PS Inês de Medeiros e Maria Antónia de Almeida.

Na última semana, também o PCP e o PS apresentaram no parlamento projetos de resolução no sentido de suspender a venda do espólio do pintor Joan Miró que se encontra na posse do Estado português através do processo de nacionalização do antigo Banco Português de Negócios (BPN).

A proposta de resolução do PCP vai ser debatida na terça-feira, às 16:00, na Comissão de Educação, Ciência e Cultura, e poderá ainda ir a plenário para votação esta semana, disse hoje à agência Lusa fonte dos serviços administrativos do parlamento.

Contactado pela Lusa, Carlos Cabral Nunes, do Coletivo Multimédia Perve, comentou que «não obstante o apoio do PCP e do PS, a petição representa um movimento de cidadania transversal à sociedade portuguesa».

«Há uma semana demos entrada da petição no parlamento com cerca de mil assinaturas e agora voltámos a dar entrada com quase cinco mil assinaturas, o que demonstra o interesse da sociedade portuguesa neste caso», comentou.

Sobre o valor do conjunto de 85 quadros, considera «que é muito mais elevado do que a estimativa global que o Estado anunciou [35 milhões de euros], apontando que o artista Joan Miró detém um recorde de venda de uma única obra por 40 milhões de euros».

A Christie`s colocou «online» os catálogos com as obras que serão leiloadas em três sessões, marcadas para os dias 04 e 05 de fevereiro.

Contactado pela Lusa, o gabinete do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, respondeu, numa nota, que «a aquisição da coleção de Joan Miró não é considerada uma prioridade no atual contexto de organização das coleções do Estado».

Carlos Cabral Nunes considera lamentável que «os portugueses nunca tenham sido chamados a pronunciar-se sobre um conjunto de obras que é património público».

Os organizadores da petição defendem que «a coleção de Joan Miró deveria manter-se em Portugal, num museu, e ficasse disponível publicamente».

Na quarta-feira, a Casa da Liberdade vai organizar um conjunto de espetáculos, entre as 16:30 e as 22:00, para receber artistas e outros cidadãos que assinaram a petição, para recolher depoimentos que mostrem a transversalidade do movimento.

Inaugurada no final de 2013, a Casa da Liberdade Mário Cesariny tem direção artística do galerista e curador Carlos Cabral Nunes, um dos fundadores do Coletivo Multimédia Perve, associação cultural sem fins lucrativos criada em 1997, em parceria com a Perve Global, empresa proprietária das duas Galerias Perve, em Lisboa.

A petição está disponível «online» em http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=joanmiro.