Foi um dos fins de semana mais quentes em território nacional e isso refletiu-se da pior maneira de norte a sul do país. Ao longo de todo o domingo, cerca de dois mil incêndios deflagraram em Portugal Continental, destruindo habitações e levando até ao corte de autoestradas. O cenário negro mantém-se nesta segunda-feira, também ela quente, e ao longo de todo o país há 95 incêndios ativos.

De acordo com o site da Proteção Civil, há 141 incêndios ativos que estão a ser combatidos por 28840operacionais, apoiados por 834 veículos e 24 meios aéreos. Destes 141 fogos, há seis incêndios que estão considerados como "ocorrências importantes" - designação atribuída a incêndios rurais “de duração superior a três horas e com mais de 15 meios de proteção e socorro envolvidos”: dois no distritos de Aveiro, dois na Guarda, Viana do Castelo e Braga.

Segundo a mesma fonte, os incêndios que lavram no distrito de Aveiro concentram 492 bombeiros, apoiados por 158 veículos e oito meios aéreos. Em Águeda, a situação está “incontrolável” e com várias frentes ativas, tendo-se registado reacendimentos durante a tarde. Algumas casas ainda se encontram em perigo, vários palheiros arderam e alguns animais não resistiram às chamas. 

colocando casas “sistematicamente em risco”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Águeda.

Estamos a evacuar quem está acamado e aos outros o conselho dos bombeiros e da GNR é que abandonem os seus pertences e casas e saiam”, afirmou Gil Nadais, em declarações à agência Lusa.

Destacando a “ventania brutal”, associada às muito altas temperaturas, como a principal dificuldade encontrada no combate às chamas, o autarca afirmou que “o trabalho dos bombeiros tem sido só proteger pessoas e casas”.

Este incêndio alastrou-se, hoje, ao concelho vizinho de Vale de Cambra, onde a situação se encontra agora controlada, não havendo populações em risco. Das quatros frentes ativas, duas já se encontram dominadas, contudo, a proteção civil prevê o aumento da intensidade do vento que pode não ajudar o combate às chamas. Um lar de idosos foi evacuado e um armazém de materiais de construção no lugar de Á-dos-Ferreiros ficou totalmente destruído. 

Também no distrito de Aveiro, a A41 foi cortada em Nogueira da Regedoura por causa do incêndio que lavra em Espinho, tendo entretanto reaberto ao trânsito com alguns constrangimentos. A A41 é também conhecida como CREP - Circular Regional Exterior do Porto - e liga Matosinhos a Espinho.

Já no distrito no Porto, foi ativado o Plano Distrital de Emergência (PDE), que continua a reunir o maior número de fogos em curso, com 29 incêndios rurais, envolvendo 455 homens, 138 meios terrestres e três meios aéreos. Em Gondomar, o incêndio reacendeu duas vezes em 48 horas e gerou o pânico no concelho. 

No distrito de Viana do Castelo, oito fogos são combatidos por 189 bombeiros, 62 meios aéreos e três meios aéreos.

No distrito de Braga, oito fogos mobilizam 189 operacionais, 189 meios terrestres e três meios aéreos.

Ativos estão também um fogo na freguesia de Aldeia Nova, concelho de Trancoso, distrito da Guarda, com 130 bombeiros, 41 veículos e dois meios aéreos, e o incêndio em Covas, Vila Nova de Cerveira, distrito de Viana do Castelo com 74 bombeiros, 27 meios terrestres e um meio aéreo.

A ANPC destaca ainda um incêndio em Rio Torto/Lagarinhos, concelho de Gouveia, distrito da Guarda.