A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) proibiu, desde esta terça-feira à tarde, os comandantes de bombeiros operacionais distritais de darem informações sobre os incêndios. A ordem é do presidente da ANPC, que decidiu concentrar em si mesma a informação enviando um email aos operacionais no terreno.

A comunicação de emergência associada aos vários teatros de operações dos incêndios rurais em curso, atual ou futuro, passa doravante a ser centralizada no Comando Nacional de Operações de Socorro (CNOS). (...) Esta orientação é imperativa e visa libertar os comandantes das operações de socorro para se concentrarem no essencial que é a conduta das operações de proteção civil", pode ler-se no email enviado aos operacionais a que a TVI teve acesso.

Para tanto, a Protecção Civil promete duas conferências de imprensa por dia. A primeira, às 09:00 e a segunda ao fim da tarde, às 19:00. Poderá haver um terceiro briefing caso se justifique.

Segundo apurou a TVI, cabe aos Comandantes Operacionais Distritais da Proteção Civil garantir informação ao Comando Nacional "com a máxima brevidade possível sempre que, no quadro das ocorrências em curso, seja necessário proteger aldeias, aglomerados ou habitações em risco e sempre que haja evacuações previstas ou em curso".

Trata-se de informação a ser fornecida para as conferências de imprensa dadas na sede da Proteção Civil, em Carnaxide.

De acordo com a instituição, estas conferências de imprensa têm como objectivo libertar os comandantes dos bombeiros da tarefa de actualizarem a comunicação social no local para se concentrarem exclusivamente no combate aos incêndios.

A TVI sabe que esta situação inédita está a causar mal-estar junto de vários comandantes operacionais.

No entanto, a Autoridade Nacional de Proteção Civil rejeitou iminarmente qualquer associação entre as novas regras de comunicação do serviço sobre incêndios e uma 'lei da rolha'.

"Rejeitamos liminarmente qualquer associação deste processo a uma qualquer lei da rolha", disse, em declarações aos jornalistas, a adjunta nacional de Operações Patrícia Gaspar, explicando que o que está em curso “é um procedimento de exceção para uma situação de exceção”.

“Estão a ocorrer simultaneamente ocorrências elevadas que implicam recursos elevadíssimos e por isso é fundamental que os comandos se possam focar no essencial: que é dar resposta às emergências”, salientou.

Patrícia Gaspar garantiu também que os comandos distritais de operações de socorro (CDOS) não estão proibidos de dar informações.

“Não foi emitida qualquer proibição. Estamos apenas a concentrar tudo em Carnaxide [sede da ANPC] para facilitar e garantir a conduta operacional dos comandos."