Uma comissão interministerial vai avaliar os pedidos de ajuda dos municípios ao Governo na sequência dos incêndios, revelou o secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna, adiantando que a entidade será aprovada em Conselho de Ministros.

«Está a ser constituída uma comissão interministerial que será aprovada no próximo Conselho de Ministros para analisar essas questões», afirmou Fernando Alexandre, aos jornalistas, à margem da cerimónia comemorativa do 135.º aniversário do Comando Regional da Madeira da PSP, no Funchal.

O secretário de Estado respondia à questão do relatório que a Câmara Municipal do Funchal, concelho onde arderam 800 hectares em agosto, enviou a semana passada ao ministro da Administração Interna, no qual deu conta dos prejuízos para as duas corporações do concelho do Funchal e Cruz Vermelha Portuguesa. Fernando Alexandre adiantou que «há muitos [pedidos de ajuda] no Continente, porque de facto as duas últimas semanas foram muito duras e, mesmo, no final de julho houve incêndios complicados e serão analisados, será a função dessa comissão interministerial».

À agência Lusa, o secretário de Estado informou que a comissão está a ser organizada pela Secretaria de Estado da Administração Local, do Ministério do Desenvolvimento Regional, e dela farão parte outros ministérios.

O relatório municipal sobre os incêndios que atingiram o concelho do Funchal conclui que houve uma «grande dificuldade no combate» e defende um reforço de meios.

No documento, elaborado pelo Serviço Municipal de Proteção Civil, lê-se que se verificou «uma grande dificuldade no combate ao incêndio, essencialmente nas serras de Santo António, São Roque e Monte, devido à falta de acessibilidades».

O documento é acompanhado de três listagens de material danificado no decurso dos incêndios pelas corporações do Funchal - Municipais e Voluntários Madeirenses - e ainda da Cruz Vermelha Portuguesa.

«Só na corporação dos Bombeiros Municipais do Funchal, pelo levantamento efetuado, temos cerca de 75 mil euros de equipamento danificado ou a precisar de manutenção urgente após estes incêndios», declarou o vereador com a Proteção Civil da Câmara do Funchal, Amílcar Gonçalves, precisando com mangueiras, autobombas ou agulhetas partidas.

O relatório apresenta também uma lista das «reais necessidades» das corporações do Funchal, na ordem de um milhão de euros, onde consta o custo de seis pronto-socorros, ligeiros e médios, para o combate a incêndios florestais, com um valor global de 800 mil euros.