A fase “Bravo” de combate a incêndios florestais, que termina esta terça-feira, registou 3.355 ocorrências de fogo, o maior número dos últimos 12 anos, segundo a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Num encontro com jornalistas, realizado na sede da ANPC, o comandante operacional nacional, José Manuel Moura, afirmou que se registaram 3.355 ocorrências de fogo durante os 47 dias da fase “Bravo”, o que significa uma média diária de 71 ignições, sendo “francamente superior à média dos últimos 12 anos”.

José Manuel Moura adiantou que o mês de junho foi “o mais severo dos últimos 12 anos, em termos de condições meteorológicas”.


“A resposta do dispositivo foi francamente positiva”, disse ao fazer um balanço da fase “Bravo” de combate a incêndios florestais, que começou a 15 de maio e termina a 30 de junho, tendo mobilizado 6.583 operacionais e 1.541 viaturas.

Para esta fase, considerada a segunda mais crítica em incêndios florestais, estava previsto um total de 34 meios aéreos.

No entanto, dos 13 meios aéreos pesados previstos só estiveram disponíveis cinco, não tendo integrado o dispositivo oito aeronaves, os quatro helicópteros Kamov da frota do Estado, que estão inoperacionais, e outros quatro aviões (dois Canadair e dois Fire Boss) que aguardavam o visto do Tribunal de Contas.

José Manuel Moura afirmou que estes quatro meios aéreos pesados já obtiveram o visto, estando operacionais desde segunda-feira.

Sobre o helicóptero ligeiro que, na segunda-feira, teve um acidente quando combatia um incêndio florestal no concelho de Paços de Ferreira, o comandante nacional adiantou que deverá ser substituído durante o dia de hoje, estando o acidente a ser investigado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves.

Para a época mais crítica em incêndios florestais, a fase “Charlie”, que começa na quarta-feira e se prolonga até 30 de setembro, vão estar operacionais 2.234 equipas compostas por 9.721 operacionais e 2.050 veículos.


O "problema dos Kamov


A Diretiva Operacional Nacional estabelece 49 meios aéreos para época crítica em fogos, mas a partir de quarta-feira vão estar operacionais 45 aeronaves, não contando o dispositivo com os quatro Kamov.

“Tudo será feito para que entrem ao serviço no mais curto espaço de tempo”, disse José Manuel Moura, acrescentando que um dos Kamov deve estar operacional no fim de semana e outro durante o mês de julho.

Sobre os outros dois Kamov, referiu que “vão ser encontradas medidas de mitigação para que se consiga resolver esse problema com o dispositivo”.


O comandante salientou que não se regista “qualquer constrangimento” ao nível do dispositivo terrestre para o início da fase “Charlie”.

“O constrangimento que existe é ao nível dos meios aéreos pesados, que tem a ver com os quatro kamov, que não vão entrar amanhã [quarta-feira]”, frisou.