As duas corporações de Bombeiros da Figueira da Foz envolveram-se numa polémica motivada por um texto ligado ao desaparecimento do cão dos Voluntários, assinado pelo presidente daquela associação no Facebook, ao qual o comandante dos Municipais reagiu.

Em causa está um comentário assinado por Lídio Lopes, publicado ao final da tarde de domingo na página da corporação, onde este critica a atuação dos Bombeiros Municipais por estes terem entregue a mascote dos Voluntários - um cão da raça Serra da Estrela, denominado «Sparky», que esteve desaparecido e foi encontrado no sábado - aos cuidados do canil municipal e não no quartel da corporação a que preside.

No texto, Lídio Lopes diz que «quem não se sente não é filho de boa gente», refere que não lhe parece bem que o Sparky tenha sido «enfiado» no canil municipal e não aceita a «desculpa» de que os Bombeiros Municipais, alegadamente, não conheciam o proprietário do cão.

A esse propósito, diz esperar que o comandante dos Bombeiros Municipais «faça uma visita guiada com os seus homens» ao quartel dos Voluntários, para ficar a conhecer «todos», bombeiros e mascotes, «porque todos somos um só», argumenta.

O presidente da direção da associação humanitária lembra ainda que, no passado, enquanto autarca, ofereceu um cão (um dálmata chamado Ferrão) aos Bombeiros Municipais, argumentando que os Voluntários «não fariam o mesmo», se, ao contrário, fosse o Ferrão a desaparecer.

O comentário do responsável diretivo dos Bombeiros Voluntários resultou num «direito de resposta», assinado pelo comandante dos Bombeiros Municipais da Figueira da Foz, Nuno Osório, na página Facebook daquela corporação, onde este manifesta «espanto» pela intervenção de Lídio Lopes, posterior a um telefonema entre ambos que teria servido para esclarecer a questão.

Na resposta, publicada na noite de segunda-feira, Nuno Osório explica que a entrega do cão no canil municipal ocorreu depois de este ter sido encontrado, por uma munícipe que o levou aos Bombeiros Municipais, na povoação de Chã, «a vários quilómetros» do quartel dos Voluntários.

Nuno Osório alega que o procedimento segue o protocolo habitual em situações do género envolvendo animais encontrados na via pública e que «ninguém de serviço no Corpo de Bombeiros Municipal conhecia o Sparky».

«Porque haveriam de conhecer?», questiona, adiantando que o cão «não possuía coleira nenhuma, muito menos com identificação».

Entre outras considerações, Nuno Osório critica Lídio Lopes por este ter definido os Bombeiros Municipais como «nossos camaradas», entre comas, questionando se a fórmula usada «é de quem congrega esforços para estabelecer um ambiente sadio e harmonioso», entre duas corporações centenárias que conheceram várias situações de rivalidades e quezílias.

O também comandante municipal da Proteção Civil manifesta ainda disponibilidade para visitar os Bombeiros Voluntários, desde que Lídio Lopes o convide e assume «humildemente» que caso se cruze com elementos dos Voluntários «à civil» - não fardados - poderá não os identificar como bombeiros.

Num texto onde deixa um louvor ao «desempenho exemplar» ao piquete de serviço nos Bombeiros Municipais, Nuno Osório desafia Lídio Lopes a reservar a discussão do tema para o plano pessoal, «para bem do socorro, do relacionamento entre bombeiros, opinião pública e afins».

Os textos motivaram vários comentários em ambas as páginas: num deles, Ricardo Correia, da comunidade Bombeiros para Sempre, manifesta «indignação» pelas intervenções dos responsáveis de ambas as corporações, «porque a praça pública nunca foi local para a discussão destes assuntos».

«Cabeça quente e reações deste nível não são próprias de pessoas que ocupam os lugares supramencionados», lamenta.