Dezena e meia de bolseiros de investigação científica concentraram-se esta quinta-feira junto da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), acusando a instituição de falta de rigor e de excluir candidatos a bolsas sem pretexto nem avaliação.

«Não há uma questão de rigor, há um processo para excluir pessoas», disse o presidente da Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC, que convocou o protesto), André Janeco, adiantando que 600 candidatos a bolsa foram excluídos sem terem sido avaliados sequer.

A iniciativa da ABIC surge depois de serem conhecidos os resultados do concurso de bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, «que deixaram de fora 4.000 candidatos», a que se juntam mais seis centenas de exclusões por questões «a que muitos foram alheios», disse o responsável.

Andria Leal, brasileira a viver em Portugal há 11 anos, foi uma das excluídas, por falta de documento comprovativo de residência. Em novembro, quando foi informada, entregou o documento no prazo de 10 dias e voltou a mandar o mesmo documento mais tarde, sem nunca ter recebido qualquer resposta, explicou à porta da FCT, onde esta quinta entregou pela terceira vez o mesmo documento.

Nem ela nem André Janeco entendem o que se passa, porque supostamente o prazo de reclamações acabava em novembro mas a FCT diz que as pessoas cuja candidatura não foi admitida podem ainda recorrer. «Parece que ainda podem recorrer, não sabemos», disse à Lusa.

Essa foi uma informação transmitida à Lusa pela FCT. Mas a informação de André Janeco era a de que o prazo para apresentação de candidaturas terminava em setembro e que em novembro, após conhecidos os resultados, havia um prazo para recorrer de 10 dias. A verdade, disse, é que os que recorreram não obtiveram resposta.

«Hoje disseram-me para aguardar». E uma resposta quando? «Só Deus sabe», respondeu Andria Leal, doutorada em linguística e a «fazer um part-time para sobreviver». Muitos amigos «a irem embora para outros países porque não têm emprego e depois de tanto se ter investido neles, antes deste Governo».

André Janeco é também critico da atual situação, garante que o concurso deste ano atribuiu menos bolsas, diz que a FCT fala de «falhas» nos processos de candidatura que não existem, refere a Lusa.

Os esclarecimentos da FCT

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) esclareceu  esta quinta-feira que ainda não há uma decisão final do concurso de bolsas de doutoramento, visto que só hoje termina o período de audiência prévia.

A FCT «abriu a possibilidade a todos os candidatos» de se pronunciarem sobre a decisão tomada, e o concurso «decorreu em rigoroso cumprimento» do regulamento de bolsas, diz-se no documento.

No concurso de 2014 foram até ao momento recomendadas para financiamento 883 bolsas, 403 de Doutoramento (18% dos candidatos), 15 de Doutoramento em Empresas (24% dos candidatos) e 465 de Pós-Doutoramento (23% dos candidatos), segundo o comunicado enviado à Lusa.

«Em comparação com os concursos de 2013 (de Bolsas Individuais e Programas de Doutoramento FCT) regista-se um aumento de cerca de 130 Bolsas de Doutoramento (14%) e uma redução de cerca de 30 Bolsas de Pós-Doutoramento (6%)», acrescenta-se.

Ao todo, segundo a fonte da FCT, candidataram-se a bolsas cerca de 4000 pessoas, tendo até agora obtido parecer favorável as 883.