Um camião cisterna português que transportava leite foi bloqueado, na segunda-feira, na Galiza por produtores locais, que também derramaram o produto, informou hoje à Lusa fonte da empresa que assegurava o transporte.

Segundo fonte da administração de A Fornecedora, de Barcelos, o “ataque” registou-se na noite de segunda-feira, em Monforte de Lemos, Lugo.

A fonte escusou-se a adiantar quaisquer outros pormenores sobre o incidente.

Contactada pela Lusa, fonte do gabinete do ministro da Agricultura referiu que “está a acompanhar o processo de identificação dos intervenientes e das circunstâncias em que ocorreu a situação”.

“Do resultado dessa diligência decorrerá, eventualmente, uma comunicação ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, no sentido de contactar as autoridades espanholas, caso se constate que houve qualquer procedimento incorreto da parte destas”, acrescentou.

Este protesto prende-se com o alegado incumprimento de normais legais na exportação de leite de Portugal para Espanha, nomeadamente no que diz respeito ao atestado de qualidade.

Em nota publicada na sua página na internet, a Associação Nacional dos Industriais de Laticínios (ANIL) acusa a Polícia Autonómica Galega de ter em curso uma campanha “sistemática e premeditada” para controlar o leite e derivados provenientes de Portugal, “com vista a desincentivar, por via administrativa, as exportações nacionais”.

“Desde maio de 2015 que a Polícia Autonómica Galega tem em curso uma campanha de controlo do leite e derivados provenientes exclusivamente de Portugal, com o pretexto de comprovar a rastreabilidade do leite que chega em camiões cisternas e embalado, para que tanto a origem como o processo de transporte e chegada ao destino cumpram com todos os requisitos legais”, acrescenta.

Aquela polícia terá levado a cabo, em 2015, um total de 109 inspeções, que resultaram em 70 denúncias.

“Alguma imprensa especializada adianta também que, em 2016, já se efetuaram 95 ações inspetivas, com controlo a 145 viaturas, das quais resultaram 5 autos por alguma irregularidade””, acrescenta a nota da ANIL.

A associação sublinha que o défice comercial de laticínios com Espanha se fixava, no final de 2017, em 165 milhões de euros.

Acrescenta que Portugal tem servido de “escoadouro” de leite excedentário que Espanha não tem capacidade para laborar, “transacionado a preços extremamente baixos, comprometendo os princípios elementares da concorrência e pondo em causa uma parte importante do tecido empresarial e das explorações leiteiras nacionais”.

“Com a colaboração da tutela, a fileira do leite tem de encontrar formas de ultrapassar este problema, que pode vir a ter graves repercussões”, alerta.

Sublinha que, “num cenário extremo, não será de excluir que ações de retaliação possam vir a acontecer, à semelhança das verificadas no setor da suinicultura, confrontado também com iguais condições de concorrência desleal”