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OCDE: portugueses estão pouco felizes e mais solitários

Portugal também tem mais desigualdade entre ricos e pobres

Por: Redacção / BR    |   2012-05-22 13:47

Os portugueses são dos menos satisfeitos com a vida entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). Também estão mais solitários, num país onde há mais desigualdade entre ricos e pobres do que a média.

São as conclusões do Better Life Index (Índice Vida Melhor), que a OCDE publica pelo segundo ano seguido e pretende encontrar outra forma de medir a qualidade de vida das pessoas para lá do PIB.

São 36 os países que integram o estudo e, nas contas gerais, Portugal está em 29º lugar. O mais feliz é a Austrália, o menos feliz é a Turquia.

São 11 os tópicos analisados: habitação, rendimento, comunidade, educação, ambiente, envolvimento cívico, saúde, satisfação com a vida, segurança e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

No que diz respeito a satisfação com a vida, os portugueses classificam-na em 5.2 por cento, numa escala de 1 a 10. Só a Hungria está pior e a média dos 36 países da OCDE é de 6,7 por cento. Apesar disso, 72 por cento dos portugueses dizem que tem mais boas do que más experiências ao longo do dia.

Os dados que dizem respeito à comunidade e à vida social também não são animadores. São 86 por cento os portugueses que acreditam conhecer alguém em quem podem confiar se precisarem, abaixo dos 91 por cento de média. E são 10 por cento aqueles que «raramente» ou «nunca» passam tempo com os amigos, colegas ou num contexto social, bem mais do que os 7 por cento de média.

As pessoas em Portugal não só são mais solitárias do que a média, mas também menos ativamente solidárias. Segundo este estudo, os portugueses passam dois minutos por dia em atividades voluntárias, metade da média da OCDE. E apenas 38 por cento disseram ter ajudado um estranho no último mês, contra 47 por cento de média.

Quanto à educação, os dados dizem que em Portugal 30 por cento dos adultos entre 25 e 64 anos têm o equivalente a um diploma de liceu, muito abaixo dos 74 por cento de média da OCDE. Na avaliação dos conhecimentos realmente adquiridos, feita através do PISA (Programa Internacional para Avaliação dos Estudantes), os estudantes portugueses somaram 490 pontos, abaixo dos 497 de média. A diferença entre os melhores e os piores é de 105 pontos, contra 99 de média, o que leva a OCDE à conclusão de que o sistema escolar em Portugal «tende a providenciar melhor qualidade de educação aos que estão melhor na vida».

Não é o único indicador nesse sentido. Os números sobre rendimentos dizem o mesmo. No índice Better Life, os portugueses ganham 21722 dólares em média por ano, abaixo dos 34033 de média da OCDE. E os 20 por cento mais ricos ganham seis vezes mais que os 20 por cento mais pobres.

Quanto a emprego, além dos altos valores de desemprego jovem (22,3 por cento), Portugal surge com 5,6 por cento de desempregados há mais de um ano, muito mais do que os 3.0 por cento de média. Por outro lado, 7 por cento dos empregados têm contrato por seis meses ou menos, uma taxa menor do que os 10 por cento de média. E as pessoas em Portugal trabalham 1714 horas por ano, abaixo da média de 1749 horas.

Na conciliação família/trabalho, a desigualdade de géneros é grande. Os homens passam 96 minutos por dia em tarefas domésticas, contra 328 minutos das mulheres.

O relatório conclui aliás a dizer que Portugal devia investir mais em serviços de apoio às crianças, tanto mais que é um dos países com menor taxa de natalidade. Os gastos atuais são bem inferiores aos da média da OCDE: 11500 euros por criança, contra 24900.

Portugal surge com cotação alta, em contrapartida, no que diz respeito à satisfação com a habitação: 92 por cento, contra 87 por cento de média. Por outro lado, os portugueses não vão bem de saúde. É o que dizem. Apenas 49 por cento respondem que estão bem quando se lhes pergunta como vai a sua saúde. A média da OCDE é de 70 por cento.

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Portugal na OCDE

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