Centenas de pessoas incorporaram-se hoje no funeral, para o cemitério de Oliveira de Azeméis, de Afonso Tiago, o português desaparecido em Berlim, a 10 Janeiro, cujo corpo foi encontrado na semana passada pelas autoridades alemãs e entregue à família.

A igreja matriz de Oliveira de Azeméis encheu-se para a missa de corpo presente, durante a qual o celebrante referiu que «a surpresa por vezes bate à porta e revela a fragilidade humana», considerando que «deve ser lição de humildade e de bondade».

Após o ofício religioso, o féretro foi carregado aos ombros por elementos dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis e acompanhado até ao cemitério local por centenas de pessoas, entre as quais vários antigos colegas de Afonso Tiago e amigos da família.

Afonso Tiago desapareceu na madrugada de 10 de Janeiro, quando regressava a casa no bairro berlinense de Kreuzberg, a pé, depois de ter estado num bar com amigos portugueses.

O engenheiro, de 27 anos, estava há seis meses na capital alemã a estagiar na sucursal da empresa Active Space Tecnologies, de Coimbra, especializada em projectos espaciais, ao abrigo do programa Inove Contact do Ministério da Economia português.

A família e os amigos de Afonso Tiago distribuíram então milhares de cartazes em Berlim para o tentar encontrar e chegaram a fazer uma petição ao Presidente da República Portuguesa, que recolheu mais de dez mil assinaturas.

A polícia judiciária de Berlim envolveu nas investigações consideráveis meios, vindo o corpo a aparecer no rio Spree, quase dois meses volvidos sobre o desaparecimento.

De acordo com um familiar de Afonso Tiago, «os primeiros resultados da autópsia (realizada em Berlim) não apontam para crime e a morte terá ocorrido por afogamento». No entanto, só depois de concluídos os exames complementares será possível esclarecer o caso.