Por: Catarina Pereira | 31- 1- 2011 16: 15
ACTUALIZADA ÀS 19h34
Os trabalhadores da Beliape - Avicultura e Pecuária, S. A., de Cucujães, em Oliveira
de Azeméis, garantem ter sido atacados pelos seguranças da empresa esta segunda-feira, quando estavam a realizar um protesto.
«Mandaram-nos
um petardo muito potente, que felizmente não acertou em ninguém. Foi só para assustar, para nos intimidar», disse ao tvi24.pt
um dos envolvidos, que pediu para não ser identificado.
Os trabalhadores protestavam devido ao atraso de cinco meses
nos salários e ao facto de, segundo garantem, alguns terem sido despedidos «ilegalmente». Esta manhã, tentavam impedir que
fossem retirados equipamentos do interior da empresa.
A mesma fonte adiantou que os seguranças da Beliape «não estavam
identificados» e «andam armados», tendo ameaçado os trabalhadores por várias vezes.
A GNR de Cucujães confirmou ao
tvi24.pt que foi chamada ao local. «Foram identificados tanto os seguranças como os trabalhadores», afirmou fonte da
GNR. Ninguém foi detido.
No seguimento do ocorrido, o Bloco de Esquerda questionou imediatamente o Governo, condenado
a «atitude de coacção e violência» da administração da empresa.
O tvi24.pt contactou a Beliape, mas a administração
recusou prestar qualquer comentário sobre o assunto.
À agência Lusa, José Marques, assessor da administração
da Beliape, referiu que o acontecimento é «totalmente falso».
«E o Bloco de Esquerda nem tentou falar connosco.
Este é um estado de direito e não se pode fazer assim acusações graves sem fundamento, Desconheço em absoluto que tenha rebentado
alguma coisa. A única coisa que dois funcionários da casa me disseram é que ontem, domingo, à porta deles rebentaram duas
bombas, mas de carnaval», disse.
A Beliape - Avicultura e Pecuária S.A. empregava 120 trabalhadores no final de 2010.
A empresa procedeu entretanto a 62 despedimentos e 28 operários rescindiram o seu contrato por iniciativa própria.
Hoje,
a fábrica tem ao serviço 30 trabalhadores, afectos sobretudo ao funcionamento do entreposto que, desde a extinção do matadouro
no final de 2010, constitui agora a sua única actividade.
Carla Campos, a advogada que representa 40 ex-trabalhadores
da Beliape, adiantou que, esta segunda-feira à noite, ninguém ficará de guarda às instalações da empresa para evitar a saída
de máquinas.
«Quem trabalha na fábrica veio avisar que eles têm lá dentro uns 10 capangas para lhes tratar da
saúde e as pessoas, com medo, vão ficar em casa», afirmou.
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