Mais de 200 catalães participaram este domingo, em Lisboa, na formação de torres humanas, uma tradição daquela região espanhola e transformada numa ação de apoio ao referendo pela independência da Catalunha.

Organizações da sociedade civil catalãs empenhadas na promoção da consulta popular ergueram várias torres humanas em várias cidades europeias, onde se incluiu Lisboa.

Os catalães marcaram o referendo à sua independência para 09 de novembro, mas o Governo espanhol não reconhece a legitimidade da consulta regional.

A organização, encabeçada pela Òmnium Cultural, ergueu torres humanas em Lisboa, Londres, Berlim, Bruxelas, Genebra, Paris e Barcelona com cartazes «Catalans Want to Vote» (Os Catalães Querem Votar).

A Torre de Belém, em Lisboa, foi o palco escolhido e onde foram formadas três torres, numa das quais foram empenhadas quatro bandeiras: a da Catalunha, a de Portugal, a do grupo catalão «Cotellers de Sants» a que pertence o grupo que fez as torres e uma com a inscrição «Catalans want to vote».

No final das atuações foram fortemente aplaudidos pelas dezenas de portugueses que assistiam, gritaram «independência» e cantaram uma música de intervenção catalã que se transformou o hino deste movimento.

Em declarações à Lusa, a presidente do grupo «Cotellers de Sants» mostrou estar satisfeita com a participação dos lisboetas nesta manifestação catalã, afirmando que os portugueses têm «capacidade de entender que tanto os catalães como qualquer pessoa têm de ter a possibilidade de responder com liberdade quando se pergunta o que querem».

«O referendo é uma expressão da democracia. E gostaríamos que nos deixassem dizer o que pensamos nas urnas, que é a forma mais democrática de o fazer», acrescentou Esther Oriol.

A residir há 41 anos na Catalunha, o português Domingos Campos da Costa, que pertence ao «Cotellers de Sants», defendeu o direito do «povo catalão de poder votar para ser independente».

Por seu lado, o luso-catalão Cristobal Torregrosa (que curiosamente em catalão quer dizer "torre grande") considerou que «mais que um direito, devia de ser um dever».

«Devemos ter a independência e o direito de decidir o nosso futuro. Essas pessoas não são os nossos governantes, estão a representar o povo e estamos a perder essa definição. Hoje, os homens são mais informados e não queremos mais corrupção. Queremos um país livre e feliz para todos», frisou à Lusa.