O edifício da Segurança Social de Beja funciona sem ar condicionado devido a avaria, tendo alegadamente trabalhadores recebido assistência médica devido ao calor, mas a instituição diz que a situação está a ser resolvida.

A situação afeta "cerca de 150 pessoas" que trabalham no edifício do Centro Distrital de Beja da Segurança Social, que tem o sistema de ar condicionado "avariado" e está situado numa cidade que "atinge frequentemente temperaturas próximas dos 40 graus no verão", contaram à agência Lusa três funcionários.

Segundo os funcionários, que pediram o anonimato por receio de represálias, no edifício, que é "todo envidraçado", "não é sequer possível abrir as janelas" e seis trabalhadores tiveram de receber assistência médica devido ao calor que se faz sentir no edifício por o ar condicionado estar avariado.

Um dos seis trabalhadores, "que tem problemas cardíacos, sentiu-se mal por causa do calor e acabou por ficar internado", contaram, referindo que vários utentes que se deslocaram ao edifício utilizaram o livro de reclamações para se queixarem das temperaturas sentidas enquanto esperavam para serem atendidos.

"No inverno, por causa do frio, tivemos de trazer de casa aquecedores e agora tivemos de comprar ventoinhas, por causa do calor", explicaram os três funcionários, acusando a diretora do Centro Distrital de Beja da Segurança Social, Helena Barreto, "de nada fazer para resolver uma situação, que se arrasta há muito tempo".

A Lusa tentou várias vezes e sem sucesso contactar Helena Barreto, tendo depois o gabinete de comunicação da Segurança Social confirmado que o sistema de ar condicionado do Centro Distrital de Beja avariou no passado dia 28 de junho.

Segundo a Segurança Social, o sistema de ar condicionado é constituído por duas bombas de calor do "chiller", tendo uma delas avariado no passado dia 28 de junho, "causando perturbações no edifício, devido às elevadas temperaturas sentidas" na cidade nas últimas semanas.

"De imediato" foram tomadas duas medidas, uma de "caráter preventivo" para "debelar provisoriamente" a situação, através da aquisição de aparelhos de ar condicionado portáteis, e outra de "caráter resolutivo", com o lançamento de um concurso público para a substituição completa do sistema de ar condicionado do edifício, refere a Segurança Social.

A medida de caráter preventivo inclui a aquisição de aparelhos de ar condicionado portáteis com uma potência considerada suficiente pelos engenheiros eletrotécnicos do Instituto da Segurança Social para "debelar provisoriamente a situação de avaria do sistema das bombas de calor", explica a Segurança Social.

No entanto, segundo os três funcionários, já foram comprados 22 aparelhos de ar condicionado portáteis, mas "o problema" é que o edifício tem 88 salas e, portanto, "não vão dar para todas", ou seja, "o problema vai continuar".

Através da medida de "caráter resolutivo" e para a substituição completa do sistema de ar condicionado existente, a Segurança Social explica que foi lançado na quarta-feira um concurso público no valor de 78.500 euros, o qual "segue a sua tramitação no âmbito do regime geral das empreitadas de obras públicas".