O Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual reivindicou esta sexta-feira uma «conclusão» acerca das causas da intoxicação de dezenas de trabalhadores do call center da PT em Beja, exigindo medidas para que a situação não se repita.

«É importante que se chegue a uma conclusão acerca das causas destas intoxicações, de forma a sejam feitas as diligências necessárias para que não se repitam situações como esta», defendeu a estrutura sindical.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV) assumiu que «mais de 70 trabalhadores» daquele «call center» apresentaram sintomas de intoxicação, nos passados sábado e segunda-feira.

O edifício onde funciona aquela valência da PT, segundo o sindicato, ainda se encontra «encerrado e sob análise, até estarem reunidas as condições de segurança e saúde no trabalho comprovadas pela ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho]».

«O SINTTAV está a acompanhar de perto o desenrolar dos acontecimentos, mantém contactos com a ACT e com os responsáveis da PT Comunicações e PT Pro Gestão de Edifícios», pode ler-se no comunicado.

A estrutura sindical alega também que «muitos trabalhadores denunciam a falta de higiene na maior parte dos edifícios onde funcionam ‘contact centers’».

«A limpeza é escassa e passa, sobretudo, por passar uma esfregona no chão. As posições de atendimento, os teclados e ratos dos computadores raramente são limpos e desinfetados, estando os trabalhadores expostos às bactérias», argumenta.

Por considerar que se trata de uma matéria «de extrema importância», o SINTTAV referiu que tem vindo a fazer «um levantamento no terreno das condições de trabalho nos ‘call’ e ‘contact center’».

O sindicato realçou que, entre as situações que «carecem de resolução imediata» neste tipo de locais de trabalho, estão matérias como a adequação da temperatura do ar condicionado às estações do ano, o reforço das equipas de limpeza e o respeito pelos prazos de segurança no que respeita ao acesso aos edifícios e à exposição a produtos tóxicos.

No último sábado, 17 pessoas do «call center» da PT em Beja foram levadas para o hospital da cidade com sinais de intoxicação, repetindo-se a situação na segunda-feira, quando 41 trabalhadores da mesma valência também tiveram de ir para as urgências hospitalares devido a intoxicação, tendo todos tido alta horas mais tarde.

As pessoas apresentavam sintomas como vómitos, náuseas e ardor na garganta.

De acordo com os bombeiros, na origem dos sintomas terá estado um pesticida utilizado na desinfestação do edifício, para eliminar piolhos dos pombos.

A PT Portugal, na segunda-feira, anunciou o encerramento das instalações em Beja e a realização de uma auditoria interna para averiguar origem da situação, em investigação também pela ACT e autoridade de saúde local.