“A maior parte dos leites infantis à venda em Portugal é proveniente de uma cadeia de produção que envolve animais alimentados com rações transgénicas”.


Esta é a primeira frase do comunicado divulgado pela Plataforma Transgénicos Fora esta segunda-feira. Uma frase que irá, certamente, preocupar muitos pais portugueses.

O aviso do uso de transgénicos nos rótulos só é de divulgação obrigatória quando se trata de um uso direto. Como estamos perante rações animais, dadas aos animais, não é obrigatória a sua inclusão.

A Plataforma Transgénicos Fora (PTF) revela que contactou as principais marcas multicanal de leites infantis do país e “traçou pela primeira vez o quadro das opções a nível nacional”.

Desta forma, os pais podem agora saber como evitar transgénicos mesmo sem haver rótulo a identificá-los.

Em relação aos leites infantis de origem vegetal (100% vegetal), a questão da ração não se coloca. E caso fosse utilizada soja transgénica na fórmula, ela teria de estar identificada no rótulo, porque seria uso direto. Como tal não acontece é porque, à partida, a utilização não acontece, esclarece a PTF. Aqui encontramos, por exemplo, a marca Alpro Soya.

Também os leites infantis com origem biológica como, por exemplo, as marcas Holle (suíça) e Babybio (francesa) não parecem ser motivo de preocupação. A origem biológica do produto garante a não utilização de rações transgénicas, explica a Plataforma Transgénicos Fora.

Estes produtos são, todavia, uma pequena parte do mercado nacional. 

Em relação aos leites cuja produção tem por base o leite de vaca, nenhuma das marcas mais conhecidas, segundo a PTF, pode garantir a não utilização de rações transgénicas. Aqui incluem-se marcas como: a Nutribén, a Milkid, a Nutrilon, a Aptamil, a Milupa, a Blédina, a Novalac, a Enfalac, a Nan, a Nidina, a Nestlé Júnior e a Mimosa Bem Essencial.

Apenas a marca Miltina (da empresa alemã Humana) terá dado garantias suficientes à Plataforma Transgénicos Fora do uso exclusivo de pasto e rações livres de transgénicos.
 

Apesar de “não existirem provas científicas definitivas de que o leite proveniente de animais alimentados com rações transgénicas seja significativamente diferente do restante leite”, a PTF alerta que os dados que existem “demonstram que os leites infantis não são exatamente iguais consoante a cadeia de produção inclua ou não transgénicos”.


Em jeito de conclusão, a PTF refere uma investigação recente desenvolvida  pela universidade italiana de Nápoles. No trabalho, algumas cabras foram alimentadas com soja geneticamente modificada, enquanto outras não. A investigação detetou "perturbações importantes no colostro, o primeiro leite produzido pós-parto e que possui uma importante função imunitária". E, ao fim de um mês, "as crias que mamaram nas mães alimentadas a transgénicos apresentavam claramente menos peso do que o grupo de controle".

Saiba mais sobre este trabalho desenvolvido pela  Plataforma Transgénicos Fora.