A alimentação de um Recém-Nascido de Muito Baixo Peso (RNMBP) internado numa Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais deve ser feita exclusivamente com leite materno, de forma a reduzir o risco de uma infeção bacteriana ou uma Enterocolite Neocresante-Neonatal (NEC).

As conclusões são o resultado de um estudo conduzido por Paula Meier, diretora de Investigação Clínica e Aleitamento da UCIN do «Rush University Medical Center» (Chicago, EUA), e que vai ser apresentado nos dias 4 e 5 de abril, no IX Simpósio Internacional de Aleitamento Materno, em Madrid, promovido pela empresa suíça Medela.

O estudo, onde participaram 430 pares de mães e bebés RNMBP (nascidos com menos de 1500 gramas), conclui que se o recém-nascido for alimentado exclusivamente por leite materno nos primeiros 14 dias de vida, o risco de contrair uma NEC, frequente no período neonatal, é reduzido em três vezes.

Já o acrescento de apenas 10 ml diários até ao 28º dia de vida reduz em 19% o risco de uma infeção bacteriana (sépsis).

A investigação concluiu, também, que os benefícios não são apenas para a saúde dos recém-nascidos, mas igualmente para os orçamentos dos hospitais e famílias. A utilização do leite materno, e o seu poder de combater o aparecimento de certas doenças, pressupõe uma poupança de cerca de 23 mil euros por bebé internado.

Segundo o estudo, aumentar a dose diária de leite materno de 25 ml para 50 ml até ao 28º dia pode evitar os internamentos prolongados ligados ao aparecimento da sépsis, que são intensivos em termos de recursos. Uma poupança que compensa os custos da obtenção e administração do leite materno para mães e instituições.

Número de bebés RNMBP aumentou em Portugal

O número de Recém-Nascidos com Muito Baixo Peso aumentou 6% em Portugal, segundo dados de 2012 do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Ainda que o número de crianças nascidas no nosso país tenha diminuído de 2011 para o ano seguinte em cerca de 7,17%, de 96.993 para 90.035 bebés, o número de nados considerados como de muito baixo peso aumentou.

Em 2011, 959 bebés eram RNMBP, em 2012, 944, um decréscimo aparente de 1,56%. No entanto, dada a diminuição dos nascimentos a taxa de 2011, que era de 0,98%, cresce para 1,04%, uma variação de 6,12 pontos percentuais, segundo o INE.