A presidente da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) esclareceu esta quarta-feira que, apesar de publicada a nova norma de segurança para cadeirinhas, as famílias podem continuar a usar a mesma se oferecer um bom nível de segurança.

O esclarecimento de Sandra Nascimento surge em resposta às inúmeras questões, relacionadas com a aplicação e a obrigatoriedade desta norma, que chegam quase diariamente à APSI desde que foi publicado em julho passado o novo regulamento para a aprovação de sistemas de retenção para crianças (R129).

«A APSI está preocupada porque tem recebido muitas questões e muitas dúvidas das famílias relativamente a esta nova norma, porque não percebem qual é o seu papel e o seu objetivo face às cadeirinhas que existem hoje no mercado», disse à agência Lusa Sandra Nascimento.

Como as primeiras cadeiras homologadas pelo novo regulamento começam a chegar ao mercado, a APSI teme que «se instale a confusão e aumente a dificuldade da, já por si complexa, tarefa das famílias de escolha de uma cadeirinha para o carro».

A APSI explicou que a «confusão» deve-se ao facto de existirem no mercado, durante um tempo ainda indeterminado, cadeiras homologadas por regulamentos diferentes, com requisitos de segurança diferentes e classificações distintas.

«Nesta fase de transição é importante que as famílias estejam corretamente informadas sobre todas as possibilidades e diferenças, de modo a que possam fazer a escolha mais adequada¿, o que dependerá do carro, do número de filhos, entre outros aspetos», acrescentou.

Sandra Nascimento adiantou que, «sendo possível», será sempre melhor as pessoas optarem por um modelo de cadeira já com a homologação i-Size.

Contudo, salientou, «não é preciso ir a correr trocar uma cadeira, nem as famílias estão ilegais ao continuarem a utilizar as cadeiras que têm neste momento e estão regulamentadas pelo regulamento anterior».

Até porque muitos dos carros ainda não estão preparados para estas cadeiras por não terem o sistema Isofix.

Para a presidente da APSI, esta nova norma introduz «requisitos importantes e novos relativamente à proteção das crianças no automóvel», nomeadamente a proteção para embates laterais.

A introdução da estatura como referência, em vez do peso, a eliminação de grupos de peso que se sobreponham e a impossibilidade de transportar as crianças viradas para a frente antes dos 15 meses, também são alguns dos aspetos introduzidos que tornam as decisões das famílias mais fáceis e os erros de utilização menores.

Nos últimos três anos, a PSP detetou quatro crianças por dia a viajar sem cadeirinha, tendo multado cerca de 4.000 condutores.

Dados citados num estudo do Automóvel Clube de Portugal divulgado em janeiro indicam que, entre 2008 e 2012, 73 crianças com menos de 14 anos morreram em acidentes rodoviários, a maioria.

Registaram-se ainda 721 feridos graves e 14.552 ligeiros (também nestes casos, a grande maioria dentro de localidades).

A lei portuguesa obriga o uso de algum tipo cadeirinha em crianças até aos 12 anos e com menos de 1,35 metros.