Ama julgada por maltratar criança

Arguida acusada de bater «violentamente» em bebé por este chorar e recusar-se a comer

Por: Redação / AP    |   30 de Março de 2009 às 13:55
Uma ama está a ser julgada no Tribunal de Torres Vedras pelos crimes de maus tratos, ofensa à integridade física qualificada e abandono praticados sobre um bebé de 18 meses, que veio a padecer de deficiências múltiplas.

De acordo com a acusação do Ministério Público, a que a agência Lusa teve acesso esta segunda-feira, em Março de 2002 a arguida, agora com 40 anos de idade, reagiu ao choro e à recusa do menor em comer, dando-lhe «bofetadas de forma violenta».

A ama tê-lo-á ainda «abanado» e atirado para o chão «de forma violenta», fazendo com que a criança batesse com a cabeça no chão.

Como consequência, o menor não só «sofreu cortes no interior da boca e lesões cerebrais», como também «cortou o lábio» e «caiu inanimado no chão», entrando «de imediato em coma».

Em vez de levar o bebé imediatamente para o hospital, a ama «esteve cerca de duas horas no interior de casa» com a criança, «sem providenciar por qualquer assistência médica».

Como resultado, o menino «entrou em hipotermia e as lesões cerebrais que tinha agravaram-se», ao mesmo tempo que ficou com falta de sangue e oxigénio no cérebro.

Duas horas depois, a criança deu entrada na urgência do Hospital de Torres Vedras, sendo depois transferida para o Hospital D. Estefânia, em Lisboa, face à «gravidade do estado clínico que apresentava», ficando oito meses internada.

Devido aos maus tratos alegadamente infligidos, foram diagnosticados diversos traumatismos em diferentes partes do corpo do bebé.

Criança sofre de «atraso cognitivo»

Desde que foi entregue aos seus cuidados (Dezembro 2001) que a ama era suspeita de dar «bofetadas» e «murros», deixando o menor com hematomas, que ela desculpava como sendo o resultado das actividades próprias da idade ou de brincadeiras com outras crianças.

De acordo com o Ministério Público, o menino veio a padecer de um «atraso cognitivo», «acuidade visual muito diminuída à direita» e «sofre de hemiparesia [género de paralisia] grave com membro superior praticamente afuncional».

Além disso, as lesões psíquicas «não permitem que o menor utilize a linguagem, os movimentos do corpo, a visão e as capacidades intelectuais de forma normal» e depende de terceiros em actividades como vestir-se, alimentar-se ou efectuar a higiene pessoal, sustenta a acusação, acrescentando também que o seu discurso é «na maioria das vezes imperceptível».

Para o Ministério Público, «a arguida agiu de forma livre, deliberada e consciente», podendo vir a ser condenada com uma pena de prisão entre os cinco e os 21 anos pelos crimes de vem sendo acusada.

A mulher, que cuidava com regularidade de dia e de noite da criança por indisponibilidade dos pais, não estava habilitada nem legalmente autorizada a exercer a actividade.

O julgamento, cujo colectivo de juízes é presidido por Rui Teixeira, prossegue terça-feira com as alegações finais.
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EM BAIXO: Abusos e maus tratos infantis (Arquivo)
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