Por: Redacção | 3- 7- 2008 17: 2
O Papa Bento XVI deu esta quinta-feira o passo decisivo para que o beato Nuno Álvares Pereira seja reconhecido como santo,
ao autorizar a promulgação de dois decretos que atestam um milagre que lhe é atribuído e as suas «virtudes heróicas».
Francisco
Rodrigues, frade carmelita e vice-postulador para a canonização do Beato Nuno Álvares Pereira, congratulou-se esta quinta-feira
com a notícia e disse à Lusa que o processo de canonização está praticamente concluído, faltando apenas marcar a data da cerimónia.
De
acordo com a agência Ecclesia, que avançou a notícia, os decretos foram tornados públicos hoje pela Sala de imprensa
da Santa Sé, após uma audiência concedida pelo Papa ao Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas
dos Santos.
Contactado pela Lusa, o padre Francisco Rodrigues, nomeado em 2001 vice-postulador para a canonização
do Beato, afirmou que a promulgação dos decretos «é sinal que está tudo encaminhado» para a conclusão do processo.
«Agora
é só esperar que o Santo Padre comunique a data para a cerimónia de canonização», afirmou o frade carmelita.
O processo
para a canonização de Nuno Álvares Pereira foi uma «missão muito trabalhosa», mas que «valeu a pena», sublinhou Francisco
Rodrigues, que dedicou os últimos sete anos a esta causa.
Herói de Aljubarrota
O Beato Nuno de Santa
Maria (1360-1431) foi beatificado em 1918 pelo papa Bento XV, e nos últimos anos, a Ordem do Carmo (onde ingressou em 1422),
em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiram retomar a defesa da causa da canonização.
Na história portuguesa,
o beato Nuno de Santa Maria é conhecido como o Condestável Nuno Álvares Pereira, que no reinado de D.João I se tornou um dos
heróis da batalha de Aljubarrota, em que o exército português derrotou as forças de Castela.
A sua memória litúrgica
celebra-se, actualmente, no dia 6 de Novembro.
O processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria foi reaberto
no dia 13 de Julho de 2004, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, com a sessão solene presidida por D. José Policarpo.
O milagre
A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus, uma
sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida com salpicos de óleo
a ferver quando estava a fritar peixe.
A cura de Guilhermina de Jesus, depois de ter pedido a intervenção do Santo
Condestável, foi observada por diversos médicos em Portugal e foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em
Roma, que a consideraram miraculosa.
HB
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