A Comissão Coordenadora Distrital do Porto do Bloco de Esquerda alertou hoje que a concessão da gestão da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e do Metro do Porto «significa de facto privatizar as duas empresas».

Em comunicado, a estrutura distrital do BE explica que tal se deve ao facto de estar em causa, no processo, «um mínimo de sete anos a um máximo de dez» e a proposta do Governo em relação à Metro do Porto.

«O que agora o Governo propõe vai muito além do modelo de concessão da exploração com que o Metro do Porto tem funcionado desde o seu início. O que está em causa é a destruição da STCP e a diminuição da capacidade de oferta do Metro do Porto», aleta o BE.

Para o BE, «a destruição de um serviço público imprescindível para os utentes do Grande Porto, sempre esteve presente nos objetivos deste Governo que, de forma implacável, desenvolve a sua estratégia ideológica a favor do sector privado e em prejuízo dos utentes».

O partido prevê que a concretização da intenção do Governo de concessionar os transportes públicos do Porto vai resultar em «transportes mais caros e muito pior qualidade de serviço para os passageiros, limitações no direito à mobilidade, transportes geridos com vista ao lucro e não à garantia de um verdadeiro serviço público e despedimentos de dezenas de trabalhadores».

«O BE manifesta a sua oposição a esta decisão do governo, que coloca em causa um serviço de qualidade e reclama a manutenção dos serviços de transportes na esfera pública», defendem.

De acordo com o BE, é de «superior e urgente importância que os órgãos de governação autárquica tomem posição expressiva em prol do interesse dos cidadãos utentes».

O BE recorda também que, «nos últimos tempos, a transferência financeira do estado para a STCP (indemnização compensatória)» foi «cada vez menor».

«Em 2010 foi de 20 milhões de euros, em 2011 foi 19 milhões, em 2013 baixou para 16 milhões e para 2014 será de apenas 12 milhões», descrevem.

Segundo o partido, para «justificar a inevitabilidade da concessão a privados» foram feitas «várias malfeitorias contra a STCP», como «estender a concessão a privados de várias linhas da sua rede, sempre sem consulta dos trabalhadores».

«Esta estratégia do governo teve como consequência o progressivo processo de degradação da qualidade dos serviços oferecidos: redução de carreiras, redução de carruagens no Metro do Porto, aumento dos tempos de espera, aumento do tarifário, despedimento significativo de trabalhadores e perdas de direitos», afirmam.