O julgamento do recurso às contraordenações aplicadas pelo Banco de Portugal (BdP) por falsificação da contabilidade e ocultação do Banco Insular não vai ainda para alegações finais, já que a juíza aceitou esta quarta-feira a audição de mais uma arguida.

Isabel Cardoso, referida na decisão do BdP como colaboradora direta de Luís Caprichoso (administrador da SLN) e uma das administradoras da Planfin, que detinha juntamente com a SLN (50% cada) a Marazion, sociedade fiduciária de direito norte-americano que terá assumido uma «importância estratégica vital» na aquisição do Banco Insular pela Insular Holding, vai depor na segunda-feira.

O mandatário da arguida, Paulo Farinha Alves, justificou o pedido apresentado esta quarta-feira no Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão, em Santarém, com o facto de a «testemunha-chave» de Isabel Cardoso, o advogado António Guimarães, não ter obtido ainda o levantamento de sigilo por parte da Ordem dos Advogados.

Tendo em conta a fase do julgamento, Farinha Alves já não tem «esperança» de conseguir essa autorização a tempo.

«A arguida gostaria de melhor ver esclarecidos alguns pontos da matéria de facto, sem que lhe assista outra prova que não as suas declarações», refere o requerimento deferido pela juíza Helena Nogueira.

A juíza marcou a audição do depoimento de Isabel Cardoso para a próxima segunda-feira, mostrando determinação em avançar para as alegações finais na sessão já marcada para dia 25, sem paragem para férias, apesar da solicitação de um dos mandatários, que alegou ausência no estrangeiro.

O depoimento de Isabel Cardoso, condenada pelo BdP ao pagamento de 200 mil euros e inibição do exercício de cargos em instituições financeiras por cinco anos, segue-se ao de Luís Caprichoso, ouvido nesta fase final do julgamento também a seu pedido.

O ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), condenado pelo Banco de Portugal ao pagamento de uma contraordenação de 900.000 euros e inibição por 10 anos, concluiu hoje o depoimento iniciado no passado dia 09 e no qual negou ter participado em qualquer estratégia com Oliveira e Costa e Francisco Sanches, como é acusado na decisão do BdP.

Na sessão desta quarta-feira, a juíza voltou a indeferir o pedido feito pela advogada dos arguidos António Franco, Ricardo Pinheiro e Emanuel Peixoto para audição, como testemunha, do ainda presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, tendo em conta as declarações feitas ao Expresso no final de março.

Nessa entrevista Durão Barroso afirmou que quando foi primeiro-ministro chamou três vezes o então governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, para saber o que se passava no Banco Português de Negócios (detido pela Sociedade Lusa de Negócios, no âmbito da qual foi criado o Banco Insular, com sede em Cabo Verde).

Anabela Caseiro disse à Lusa que vai analisar este novo indeferimento, tendo em conta que pode ainda recorrer.