O bastonário da Ordem dos Engenheiros (OE), Carlos Matias Ramos, disse à agência Lusa que as praias da Costa da Caparica, em Almada, têm sido maltratadas pelo Estado, frisando que nunca houve uma aposta naquele local.

A Costa da Caparica «tem sido maltratada» com o decorrer dos anos, afirmou, esta quarta-feira, à Lusa o bastonário da Ordem dos Engenheiros, salientando que «ela nunca foi a menina de olhos bonitos de todos os governos, desde um passado muito longínquo, até à situação atual».

Esta situação aconteceu porque «nunca houve aposta naquelas praias», de acordo com Carlos Matias Ramos, que falou à Lusa à margem da sessão «Ponto da situação e experiência acumulada nas soluções de defesa costeira», que decorreu hoje na sede da OE, em Lisboa.

O representante da OE referiu também que «as intervenções que têm sido feitas na Caparica têm sido do tipo adesivo», exemplificando que, quando uma pessoa tem uma ferida coloca um adesivo, mas quando o braço está partido, o adesivo não resolve o problema.

«A aposta forte foi sempre na margem direita. Eram os casinos e todo um conjunto de atividades económicas, em que o turismo estava muito virado» para zonas como o Estoril, assinalou Carlos Matias Ramos.

Segundo o bastonário, «descurou-se no tempo uma potencialidade muito grande».

Referindo-se à época balnear, frisou que a mesma está «salvaguardada», admitindo, contudo, que «há zonas que poderão ter sido mais afetadas do que outras».

As localidades mais prejudicadas com as ocorrências do inverno estão essencialmente situadas no norte do país, onde «o défice de alimentação de sedimentos poderá ter ocorrido», levando à diminuição do areal, e onde «há um clima de agitação muito mais violento do que a sul», assim como um maior número de pessoas localizadas na orla costeira, que vivem de atividades piscatórias, explicou Carlos Matias Ramos, indicando que tudo isso aumenta a vulnerabilidade.

«Felizmente que as coisas não são catastróficas», adiantou.

A longo prazo, o bastonário considerou que «a costa portuguesa vai estar consoante aquilo que é a personalidade do mar», que deve ser utilizada para obter uma «costa que possa ser utilizada pelas pessoas com segurança e com qualidade».

O encontro traduziu-se no primeiro de um ciclo de conferências subordinadas ao tema do litoral português e intituladas «A engenharia portuguesa e a defesa do litoral. A experiência acumulada e os desafios do futuro».

A próxima sessão realiza-se em junho, altura em que a OE vai tentar incluir no discurso autarcas e membros do Governo.