A Ordem dos Médicos acredita que há mais casos de mortes nas urgências, além dos dois noticiados na última semana. O bastonário José Manuel Silva culpa o governo pelo bloqueio dos serviços.
O último caso aconteceu nas urgências do Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira.
 
«Estes casos que foram noticiados não são inesperados. Garanto que não são os primeiros e sei do que falo, certamente não serão os últimos se o problema das urgências não foram resolvidos. O que temos vindo a assistir é, de facto, algumas mortes desnecessárias, por os doentes não serem atendidos em tempo devido em consequência das medidas de cortes sérios de asfixia financeira dos hospitais, de qualquer ausência de autonomia dos hospitais, que são impostas pelo Ministério da Saúde, que deve assumir na sua consciência, estas mortes», considera José Manuel Silva, em declarações à TVI24.
 
Um homem de 57 anos morreu após uma espera de seis horas para ser atendido no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira. Também em Lisboa, um homem de 80 anos morreu na urgência do São José, no dia 27 de dezembro. Esteve mais de seis horas à espera de ser visto. Foi encontrado morto numa maca.

A Ordem dos Médicos salientou esta terça-feira que Portugal perdeu num só ano mais de 400 camas hospitalares, considerando que este problema, aliado à falta de planeamento, contribui para os problemas de congestionamento registados.
 
Em vários locais do país, os hospitais não estão a conseguir dar resposta ao elevado número de doentes nas urgências.
 
Já esta segunda-feira, em Santarém e também Abrantes, vários utentes esperaram mais de 8 horas para serem atendidos. Pior no fim-de-semana em Évora, onde a espera chegou às 18 horas.
 
Nas vésperas do ano novo, na urgência do hospital de Santo António, no Porto, há registo de doentes que esperaram 10 horas para serem atendidos. E no natal, vários doentes esperaram mais de 22 horas para serem vistos nas urgências do Amadora-Sintra.
 
O caos obrigou à contratação de médicos, para reforçar as urgências, em especial no ano novo.


 

            Últimos problemas nas urgências dos hospitais portugueses 

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