O movimento de moradores do Cais do Sodré «Aqui Mora Gente» considerou esta quarta-feira que as medidas anunciadas pela Câmara de Lisboa para minimizar os problemas de ruído, insegurança e higiene na zona vão ser insuficientes.

Na reunião camarária desta quarta-feira, o vereador da Higiene Urbana, Duarte Cordeiro (PS), apresentou a
intenção da autarquia de estipular novos horários para os bares do Cais do Sodré, Bica e Santos, que serão obrigados, de domingo a quinta-feira, a fechar às 02:00, e às sextas-feiras, sábados e véspera de feriados às 03:00, enquanto atualmente podem estar abertos até às 04:00, em ambos os casos.

Contactado pela Lusa, o movimento disse que «um dos grandes problemas é o enorme ruído ambiente, porque as pessoas permanecem nas ruas a beber».

«Os bares vendem para o espaço público, os jovens trazem as bagageiras dos carros repletas de álcool, os vendedores ambulantes trazem mochilas com álcool. Nas estações de metro e comboio do Cais do Sodré e Chiado chegam grupos, pelas 24:00, já de garrafas na mão e o resultado são centenas de pessoas embriagadas, a beberem nas praças, chafarizes, pelo chão, em gritarias durante toda a noite, desacatos permanentes e rixas de gangues», lê-se na resposta escrita enviada à Lusa.

Por isso, os moradores consideram que têm é de existir «restrições à venda e consumo de álcool no espaço público, fora dos locais licenciados (esplanadas), como acontece noutras cidades europeias como Londres, Paris, Amesterdão, Madrid, Barcelona».

Citando dados da PSP, Ana Andrade, do movimento, disse ainda que a criminalidade aumentou 49% no Cais do Sodré em 2013.

«Pela manhã é um rasto de vandalismo, equipamentos públicos destruídos, os prédios conspurcados de ‘tags’, as ruas inundadas de copos de plástico e garrafas partidas, urina e vomitado», acrescentou.

Os moradores defendem ainda que os concertos noturnos no espaço público, muitos promovidos pela câmara, deviam ser feitos «mais cedo e com menor ruído».

«As pessoas consomem álcool livremente nestes concertos, chegando a colocar em risco a sua continuação. Não existem casas de banho, nem estão previstas especiais medidas de segurança ou higiene. O resultado final são ruas inundadas de lixo, zaragatas, gente embriagada pelas ruas», afirmou.

Há alguns anos que os moradores têm alertado a Câmara de Lisboa para esta questão, com a qual têm encetado reuniões.