O presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar (APSHM) defendeu esta terça-feira que devia «rapidamente» ser feito um inquérito ao naufrágio de segunda-feira do navio pesqueiro português Santa Ana, próximo de Cabo Peñas (Astúrias, Espanha).

«Era muito importante, para que isto seja esclarecido e o mais rapidamente possível se saiba o que aconteceu, para que não haja dúvidas. Sei que leva o seu tempo, que é complicado, mas há outros barcos que passam ali», afirmou em declarações à Lusa José Festas, lembrando que a embarcação acidentada era associada da APSHM.

Para José Festas, «não se consegue perceber» o que esteve na origem do naufrágio em que morreram duas pessoas e seis ficaram desaparecidas, até porque «o barco entrava e saía muitas vezes por aquela zona».

José Festas revelou ainda que uma das vítimas mortais do acidente, o mestre de leme Francisco Rodrigues, de 63 anos, de Leça da Palmeira, «trabalhava em Espanha há muito tempo» e conhecia a zona «muito bem».

«Era um grande profissional, tinha muitos anos de mestre e era muito conhecedor de toda a costa, desde Espanha sul a Espanha norte. Trabalhava em Espanha há muito tempo, noutros barcos, conhecia bem aquela zona», afirmou, descartando a hipótese de falha humana por parte daquele mestre.

O responsável da APSHM disse que Francisco Rodrigues trabalhava como mestre «há mais de 30 anos» e teria «mais de 50 anos de mar».

«A vida dele foi o mar», frisou.

O naufrágio do navio pesqueiro português pode ter sido causado por um baixio, disse na segunda-feira à Lusa fonte da empresa armadora Pescas Balayo.

Quanto à chegada a Portugal do corpo de Francisco Rodrigues, a informação inicial era de que ela aconteceria hoje, mas José Festas refere «novas indicações», dadas «pelo agente do armador em Portugal a um irmão» do mestre de leme, que vão no sentido de que «o corpo terá de ficar mais 24 a 48 horas» em Espanha.

«Está a fazer-se tudo para que isso não aconteça, queremos que seja o mais rapidamente possível», destacou José Festas, explicando que «não foi preciso a família ir lá reconhecer» o corpo.

Um dos desaparecidos durante o acidente é um contramestre de arrastão, de Matosinhos, e, segundo José Festas, «é provável que os corpos estejam dentro da embarcação», porque parte da tripulação ia «a dormir» no interior da embarcação.