A Associação SOS Racismo manifestou esta quarta-feira «solidariedade» com a comunidade cigana de Barqueiros, em Barcelos, e «repúdio» pelo «acto discriminatório encapuçado de projecto de integração» da escola local, que separou uma turma de alunos ciganos dos restantes estudantes, avança a agência Lusa.

Em causa está uma turma de alunos ciganos daquele estabelecimento estar em aulas separadas num contentor, uma medida que a direcção da escola justificou com o facto de se tratar de jovens que não frequentavam a escola antes.

«Manifestamos o nosso repúdio pelo sucedido, uma vez que, por definição, nunca pode ser entendido por "integração" colocar 17 alunos de etnia cigana a terem aulas separadamente dos restantes não ciganos. Pelo contrário, trata-se, por definição, de "discriminação"», afirma a organização em comunicado.

Nesta situação, considera a SOS Racismo, o que se passou foi «a implementação de um projecto bastante infeliz, imposto sem o consentimento dos alunos e pais, que separa ciganos de não ciganos e que nos parece revestir-se de um grave carácter paternalista».

«Parece-nos que se partiu do princípio de que na freguesia havia um grupo de alunos ciganos que necessitava ser ensinado a portar-se bem, de atenção especial e é com esse tipo de discriminação que não podemos compactuar, com a arrogância - muitas vezes mascarada de bondade - de que na "nossa" cultura é que estão os verdadeiros valores», acrescenta.

A associação critica, sobretudo, «a ineficácia e a falta de vontade política no que diz respeito à questão dos mediadores socioculturais».

«Estando esclarecido o seu papel importante e determinante para aproximar as diferentes comunidades escolares, exigimos respostas quanto à lamentável situação em que se encontram os mesmos, sem trabalho e à espera da resolução de infinitos problemas burocráticos que impedem a homologação da carreira. O diálogo tem sempre dois lados e não só um, como parece ser aqui o caso», considera.

A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) já rejeitou a existência de discriminação racial na escola de Barqueiros, Barcelos, dizendo que «apenas foi criada uma turma que responde à especificidade de um grupo de jovens», alguns de etnia cigana.

«A Escola Básica de Lagoa Negra procura integrar e proporcionar o acesso ao 4/o e 6/o anos de escolaridade a um conjunto de jovens provenientes de dois acampamentos de famílias com debilidades acrescidas de ordem económica e social", sublinha a DREN, frisando que se trata de "uma turma-projecto» e que «a todo o tempo, os alunos poderão transitar definitivamente para turmas regulares».

A existência de discriminação racial foi levantada pela Junta de Freguesia de Barqueiros, que se insurgiu contra a existência de uma turma de 17 alunos, maioritariamente formada por jovens daquela etnia.