A apresentadora de televisão Bárbara Guimarães declarou esta sexta-feira que o ex-marido e antigo ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho “reagiu muito mal” ao pedido de divórcio e que chegou a ameaçá-la com uma faca.

Bárbara Guimarães falava na audiência, em tribunal, que assinalou o recomeço do julgamento que opõe a apresentadora de televisão ao ex-marido e antigo ministro socialista por violência doméstica e difamação.

Com Carrilho sentando no banco dos réus, a sessão desta sexta-feira, dirigida pela juíza Joana Ferrer Andrade, foi dedicada exclusivamente à leitura de notícias publicadas em jornais e revistas que alegadamente terão ofendido a honra e a dignidade da apresentadora e antiga jornalista.

Coube a Bárbara Guimarães ler o texto na íntegra de notícias publicadas no Expresso, Diário de Notícias, Correio da Manhã, revista Caras, Flash e outras publicações, sobre o conflito gerado pela separação.

No final da leitura de cada uma das notícias, a apresentadora explicou ao tribunal o efeito que sentiu ao ler afirmações à imprensa de Carrilho sobre os seus alegados problemas alcoólicos, a frustração profissional, o uso de botox e de silicone, assim como de uma suposta tentativa de violação por parte do padrasto.

Bárbara Guimarães disse ter “assistido a tudo aquilo em estado de choque”, num “chorrilho de ofensas e de ataques”, em tudo semelhantes a atitudes que o ex-marido fizera à sua frente, mas em privado.

A apresentadora, que é assistente no processo, classificou de “violentíssima” a história, posta a circular por Carrilho, de que o padrasto a teria tentado violar, situação que deixou a sua “família muito triste”.

Depois desse episódio, Bárbara Guimarães admitiu que “foi perdendo forças”, ficou com “o estômago colado às costas” e foi “emagrecendo”.

Quanto à ameaça com a faca – versão que Carrilho nega – a apresentadora confirmou a notícia vinda no jornal que o antigo ministro a ameaçou com uma faca, mas precisou que isso aconteceu apenas na presença da filha, Carlota, então com 3 anos, e não na presença desta e do filho mais velho Diniz (que, na altura, tinha 9 anos).

Depois de cerca de três horas de leitura “non-stop” de notícias, a juíza, atenta ao cansaço causado na apresentadora, resolveu suspender a leitura, marcando nova sessão para dia o próximo 20.

O julgamento foi retomado esta sexta-feira, depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter rejeitado, por maioria, o pedido de afastamento da juíza Joana Ferrer Andrade.

Em causa estiveram as considerações feitas pela magistrada na primeira sessão de julgamento, em fevereiro passado, quando criticou em audiência a demora de Bárbara Guimarães em apresentar queixa contra o ex-ministro.

Manuel Maria Carrilho começou a ser julgado a 12 de fevereiro, em Lisboa, por alegada violência doméstica contra a sua ex-mulher Bárbara Guimarães.

Carilho e Bárbara separaram-se em 2013, após um casamento de mais de dez anos.

Segundo a acusação, na noite de 23 de agosto de 2013, Carrilho terá pegado numa faca de cozinha, apontou-a a Bárbara Guimarães, que estava com a filha ao colo, e ameaçou matá-la, a si e aos filhos, assim como a si mesmo.

A acusação sustenta que, anteriormente, já teriam existido agressões, como socos e pontapés, mas a apresentadora não apresentou queixa “por vergonha”.

Carrilho também se queixou de ter sido vítima de violência doméstica, por parte de Bárbara Guimarães, que chegou a ser constituída arguida, mas o caso terminou no TRL, que decidiu não levar a julgamento a apresentadora da SIC.

Carrilho diz que todos assistiram a "longa série de patranhas"

O antigo ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho disse esta sexta-feira, à saída do julgamento em que está acusado de violência doméstica, que todos puderam assistir a "uma longa série de patranhas de Bárbara Guimarães", sua ex-mulher e assistente no processo.

Na altura, Carrilho foi confrontado por um jornalista de que teria sido visto, já no final da audiência e no interior do tribunal, a fotografar, com o telemóvel, Bárbara Guimarães e um amigo da apresentadora, junto à casa de banho, tendo o antigo ministro acenado com a cabeça que não.

Também o advogado Paulo Sá e Cunha, advogado de Manuel Maria Carrilho, questionado sobre o assunto, disse desconhecer a história relatada pelo amigo de Bárbara Guimarães.

Quanto ao facto de, no início da sessão desta sexta-feira do julgamento, a juíza Joana Ferrer Andrade ter dito que autorizava gravações áudio e que, por ela, também admitiria gravação de imagens, embora os advogados tivessem de se pronunciar previamente, Paulo Sá e Cunha deu a entender aos jornalistas que se oporá a uma solução desse gênero.

O advogado não quis antecipar o que dirá, na próxima sessão, sobre a questão, mas, em termos gerais e abstractos, adiantou que, embora os julgamentos sejam públicos, há situações que podem levar a que se peça a "exclusão da publicidade" por estar em causa a vida privada das pessoas ou o depoimento de menores.

Bárbara Guimarães tem um filho menor (Diniz) que poderá ser chamado a depor em julgamento.

Manuel Maria Carrilho começou a ser julgado a 12 de fevereiro, em Lisboa, por alegada violência doméstica contra a sua ex-mulher Bárbara Guimarães.