O presidente da Câmara de Santa Cruz da Graciosa, Açores, disse não haver possibilidade de hastear este ano as bandeiras azuis atribuídas a duas zonas balneares da ilha, porque só há um nadador-salvador, que está na piscina municipal.

«É uma grande pena para a Câmara Municipal, porque também fez algum investimento», disse à agência Lusa Manuel Avelar, sublinhando que o município preparou desde fevereiro a candidatura às bandeiras azuis das zonas balneares da ilha, classificada como reserva da biosfera pelas Nações Unidas.

Ultrapassadas as «burocracias», e depois de reconhecida a qualidade das águas, não conseguir hastear as bandeiras por não conseguir recrutar nadadores-salvadores «é um balde de água fria» e «morrer à beira de água», disse o autarca.

«Estamos a falar da Graciosa, a segunda ilha mais pequena [dos Açores]. Estamos com pouco mais de quatro mil habitantes. E, claro, isto é um trabalho sazonal, é um trabalho para três meses no verão, não é fácil encontrar gente disponível para isso. Mais do que isso, o curso [de nadador-salvador] foi feito na ilha Terceira, os alunos tiveram de se deslocar a expensas suas durante um mês. Não é fácil encontrar jovens disponíveis e também com algum encaixe financeiro para resolver esta situação», sublinhou.

Segundo Manuel Avelar, a Câmara disponibilizou-se para pagar as inscrições no curso dos jovens da ilha que o quisessem e pudessem fazer. Dois fizeram o curso, mas só um passou, tendo sido colocado na piscina municipal, que é de água salgada e tem, por isso, a mesma qualidade da das zonas balneares distinguidas com a bandeira azul, sublinhou.

Para contornar a situação no próximo ano, o município vai tentar promover um curso na Graciosa, em abril ou maio, em conjugação com o Instituto Socorros a Náufragos e com a autorização da capitania da Praia da Vitória.

No ano passado, a zona balnear do Carapacho conseguiu içar a bandeira dourada que lhe foi atribuída porque um nadador-salvador do Porto e outro da ilha de São Miguel foram trabalhar para a Graciosa durante o verão.

A Câmara ainda os contactou este ano, mas já estavam colocados em praias das suas zonas de residência.

Para Manuel Avelar, este caso é um exemplo de alguns dos constrangimentos das ilhas mais pequenas dos Açores, onde vivem poucas pessoas e as populações estão envelhecidas. Isto para além dos gastos e deslocações que são exigidos a quem quer, por exemplo, fazer uma formação.

Na Graciosa, além do Carapacho, também a zona balnear da Vila da Praia foi distinguida com a bandeira azul.

As zonas balneares da Graciosa serão as únicas do país que não conseguirão hastear este ano a bandeira azul por falta de nadadores-salvadores, já que a autarquia da Figueira da Foz, que tinha o mesmo problema em Quiaios, já revelou que conseguiu contratar os recursos necessários.

Uma bandeira azul só pode ser hasteada se houver pelo menos dois nadadores-salvadores contratados para a zona balnear distinguida, como conta a Lusa.