Os 21 Bancos Alimentares Contra a Fome promovem, no fim de semana, mais uma campanha nacional de recolha de alimentos para responder às carências alimentares de milhares de famílias portuguesas.

“As carências alimentares são um problema social que existe 24 horas por dia e sete dias por semana, e que continuam a afetar muitas pessoas”, justificou à Lusa a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, Isabel Jonet.

Os alimentos angariados na campanha destinam-se a apoiar 2.665 instituições de solidariedade social que distribuem diariamente cabazes de alimentos e refeições confecionadas a 410 mil pessoas carenciadas.

“Infelizmente ainda há em Portugal muitas pessoas que precisam de ajuda para se alimentar e, portanto, o apelo que deixamos para esta campanha é que as pessoas não se esqueçam” de que podem melhorar a vida de alguém à sua volta com uma pequena contribuição, como uma lata de atum, um pacote de leite ou uma garrafa de azeite.

“É um apelo de mobilização coletiva para um problema que tem que nos impactar e interessar a todos que os bancos alimentares deixam uma vez mais”


"Para as pessoas que não podem contribuir com alimentos, deixo o apelo para colaborarem com o seu trabalho nos bancos alimentares", que necessitam de voluntários para estarem nos supermercados a convidarem os portugueses a ser solidários, mas também nos armazéns para “ajudarem a transportar, a preparar e a arrumar os produtos que são doados”.

“Numa campanha como esta entram a nível nacional mais de 2.500 toneladas de alimentos. São muitos pacotes, muitas latas, muitas garrafas que é preciso pesar e acondicionar devidamente” para poderem ser distribuídos diariamente pelas instituições, porque “as pessoas precisam de comer todos os dias”, afirmou.

Segundo Isabel Jonet, as instituições pedem sempre um reforço dos cabazes alimentares, porque têm mais pedidos de famílias e pessoas carenciadas. Apesar de a situação do país “parecer de alguma forma mais controlada ou mais estável”, a “recuperação económica ainda não chegou às famílias”.

Muitas destas famílias ainda não têm emprego ou têm trabalhos esporádicos que “não lhes permitem assegurarem um rendimento regular e estável para a sua família”. Por outro lado, há muitos idosos com reformas muito baixas que também precisam do apoio das instituições.

Isabel Jonet destacou a importância desta rede de instituições, afirmando que “tem sido a grande almofada de segurança das famílias portuguesas”. “É por causa desta rede que muitas das situações não são tão dramáticas como teriam sido com o impacto da crise e das medidas de austeridade que foram adotadas”, acrescentou.

Um estudo promovido pelo Banco Alimentar e pela Entreajuda revela que uma em cada três pessoas que recorreram a instituições de solidariedade social no ano passado afirmou ter passado fome pelo menos uma vez por semana devido à falta de dinheiro.

Apesar disso, o estudo assinala que os dados recolhidos em 2014 e 2015 revelam uma melhoria na situação alimentar destes utentes relativamente a 2012 (26 e 14 por cento respetivamente).

A campanha decorrerá em 2.000 superfícies comerciais de todo o país, contando com o envolvimento de 42 mil voluntários.