Cerca de 300 pessoas estão concentradas frente à Assembleia da República, em Lisboa, em protesto contra a atuação policial nos incidentes de há uma semana numa esquadra da Amadora próxima do bairro da Cova Moura.

Os manifestantes, na maioria jovens, exibiam cartazes e faixas com frases nos quais podiam ler-se frases como «Punição aos crimes de racismo e brutalidade policial», «Queremos justiça. Fim à violência policial», «Não quero ter medo da PSP» e «Tortura é crime» e gritavam expressões como «Contra a violência policial, fim ao racismo institucional» e «Racismo de Estado, não obrigado».

De acordo com o ativista do movimento SOS Racismo, Mamadou Ba, também presente na concentração, a manifestação visou também «exigir que os polícias que agrediram os jovens da Cova da Moura sejam responsabilizados criminalmente».

Na quinta-feira da semana passada, cinco jovens, com idades entre os 23 e os 25 anos, foram detidos depois de, segundo a PSP, terem «tentado invadir» a esquadra de Alfragide, na sequência da detenção de um outro jovem no bairro da Cova da Moura.

Os cinco detidos foram depois transportados para o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), tendo Mamadou Ba dito, na altura, que «três deles estavam muito maltratados», enquanto fonte da PSP afirmou que os jovens apresentavam apenas ferimentos ligeiros em consequência de terem «resistido à detenção».

De acordo com o ativista, os cinco jovens tinham-se deslocado à esquadra de Alfragide para saberem da situação de um amigo que tinha sido detido no bairro da Cova da Moura, após ter sido revistado pelas autoridades.

Na decurso da operação policial, a PSP «efetuou disparos» para tentar dispersar os moradores do bairro, que protestavam pela forma como o jovem terá sido tratado, vindo «a atingir com três balas de borracha uma moradora» que se encontrava numa varanda, descreveu Mamadou Ba.

O jovem que foi detido na Cova da Moura saiu em liberdade, depois de ouvido por um juiz, que obrigou o arguido a «apresentações periódicas». Os outros cinco ficaram sujeitos à medida de coação de termo de identidade e residência.

A Inspeção-Geral da Administração Interna anunciou entretanto que vai investigar a atuação da PSP.

A manifestação de hoje foi organizada pelo SOS Racismo, a associação cultural Moinho da Juventude e a Plataforma Gueto.