A Câmara do Porto ordenou em abril uma auditoria ao fundo imobiliário criado para demolir o Bairro do Aleixo que envolve empresas do Grupo Espírito Santo, depois de um pedido de «financiamento complementar» ao município, revelou esta terça-feira a oposição.

No fim da reunião camarária privada, os vereadores do PSD e da CDU transmitiram aos jornalistas as informações que receberam do presidente da Câmara, Rui Moreira, sobre a investigação que os serviços municipais já pediram para prolongar, atirando os resultados «para setembro».

O vereador comunista alertou ainda estar em causa, na prática, «um ato de suspensão da operação» de demolição do bairro, nomeadamente devido «ao problema de liquidez imediato» do Fundo, que «tinha em caixa 1,5 milhões de euros e agora tem 200 mil euros».

«Neste momento, o fundo [detido pela autarquia, a Espart e o empresário António Oliveira, com 30, 33 e 37% do capital] não tem capacidade para continuar a operação», frisou Pedro Carvalho.

De acordo com o vereador da CDU, durante a reunião, Moreira esclareceu que o pedido de auditoria «não esteve relacionado» com o problema do Grupo Espírito Santo.

«Em abril, o fundo pediu um aumento de capital pela Câmara e foi na sequência disso que a autarquia solicitou a auditoria», notou Pedro Carvalho, admitindo que a situação possa ter piorado entretanto, com «a falência da Rioforte» e o envolvimento da Espart e da Gesfimo, duas empresas do GES, no fundo imobiliário.

Amorim Pereira, do PSD, notou ser «muito importante saber» os «resultados da auditoria pedida em abril», sobretudo porque «num ano foram desbaratados 1,3 milhões de euros».

Quanto ao facto de o projeto de loteamento para os terrenos, onde apenas foram demolidas duas de cinco torres de 13 andares já ter sido aprovado, o vereador da CDU não teve dúvidas em atirar responsabilidades para o anterior executivo, liderado pelo social-democrata Rui Rio.

«O edital a referir que ia começar a discussão pública foi publicado três dias antes das eleições [autárquicas]. A três dias das eleições? É evidente que houve intencionalidade de não deixar [o processo] para o executivo seguinte», vincou Pedro Carvalho.

O comunista esclareceu ainda que aquela foi a data de publicação do edital mas que a discussão pública «decorreu entre 15 de outubro e 19 de novembro», terminando já depois da tomada de posse do atual executivo, liderado pelo independente Rui Moreira em coligação pós-eleitoral com o PS.

Na reunião pública de 15 de junho, Rui Moreira revelou ter pedido aos serviços de auditoria «um levantamento exaustivo» do fundo imobiliário para demolir o bairro do Aleixo, assegurando não ser intenção da Câmara «um aumento de liquidez» no fundo Invesurbe.

«Nós não entraremos com nenhum aumento de liquidez, seja qual for a situação. Gostaria, ao contrário, de diluir a nossa participação no fundo», frisou Rui Moreira.

O autarca referiu ainda que, numa reunião com os investidores, informou que a demolição da próxima torre (que seria «a torre 1») não avançaria antes de estar resolvida esta questão.

A Lusa tentou, sem sucesso até ao momento, confirmar os dados hoje adiantados pela oposição junto da maioria camarária, que não esteve disponível para prestar declarações aos jornalistas no fim da sessão.