O presidente da ARS-Norte, Álvaro Almeida, afirmou esta segunda-feira à Lusa não ter conhecimento da existência de outros doentes do Hospital de Santo António, Porto, infetados pela bactéria Klebsiella multirresistente, além do que foi transferido para o Hospital de Gaia.

“Temos conhecimento desse caso, o doente terá sido transferido na semana passada do Centro Hospitalar do Porto - Hospital de Santo António para o Hospital de Gaia e testou positivo para a bactéria. As duas unidades estão a tomar as medidas necessárias.”


Admitindo que a informação que possui ainda é relativa a domingo, o presidente da ARS-Norte sublinhou não ter conhecimentos de outros doentes infetados, embora esteja a ser realizado “um levantamento no Hospital de Santo António para averiguar se há outros casos”.

“Sei que estão a ser tomadas todas as medidas necessárias”, frisou, referindo que o Centro Hospitalar de Gaia comunicou o caso relativo ao doente com patologia cardiotorácica transferido do Santo António “logo na sexta-feira”.

Em declarações à Lusa, uma fonte do Centro Hospitalar do Porto (CHP) revelou que “já tomou medidas preventivas” por causa da situação.

“Apesar de não termos confirmação formal da situação e, consequentemente, detalhes epidemiológicos, a Comissão de Controlo de Infeção do CHP já tomou as medidas preventivas recomendadas.”

A mesma fonte notou que “efetivamente, foram transferidos, esta semana, dois doentes do Serviço de Cardiologia do CHP para o Serviço de Cirurgia Cardiotorácica do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho” mas “nenhum dos dois” tinha uma “infeção ativa ou clínica que levantasse suspeitas de infeção”.

Fonte do Centro Hospitalar de Gaia adiantou na sexta-feira à Lusa que aquela unidade recebeu um doente portador da bactéria 'Klebsiella' multirresistente vindo do hospital Santo António, no Porto, sem qualquer sinalização.

Contactada pela Lusa, fonte do CHP informou esta segunda-feira que não teve, até ao momento, qualquer “comunicação formal” do Centro Hospitalar de Gaia “sobre esta matéria”, esclarecendo que a transferência foi feita devido a “patologias cardiotorácicas”.

A mesma fonte vincou que, “em circunstâncias de normal procedimento não são realizados rastreios sistemáticos a todos os doentes”.

“No entanto, o CHVNG/E [Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho] vive presentemente uma situação de exceção pelos motivos conhecidos”, acrescentou o CHP, referindo-se ao facto de a bactéria multirresistente ter sido identificada a 7 de agosto naquela unidade hospitalar de Gaia.

Segundo dados do Ministério da Saúde no início do mês, a bactéria colonizou um total de 103 doentes, infetados ou portadores.

Segundo disse na sexta-feira à Lusa uma fonte do hospital de Gaia, um homem de 70 anos foi transferido na quarta-feira do Serviço de Cardiologia do CHP, no Santo António, onde se encontrava internado desde dia 11 de novembro.

Na admissão do paciente na Unidade de Cuidados Intensivos da Cardiotorácica do hospital de Gaia, foi-lhe efetuado um rastreio para a bactéria Klebsiella pneumoniae produtora de KPC, que deu positivo.

De acordo com a mesma fonte, o doente portador da bactéria multirresistente foi transferido sem ser identificado como tal.