O ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes, defendeu, nesta sexta-feira, em Amesterdão, Holanda, que a futura estratégia global da União Europeia, a ser adotada em junho pelos líderes europeus, deve incluir, finalmente, uma forte componente de Defesa.

Em declarações à agência Lusa após um encontro conjunto de ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), consagrado aos trabalhos de elaboração de uma “Estratégia Europeia Global sobre a Política Externa e de Segurança da UE”, Azeredo Lopes disse que sublinhou a necessidade de a Europa se adaptar à nova realidade, que não pode negligenciar uma política de Defesa que passe a ser efetivamente comum.

O ministro realçou que existe hoje “um quadro completamente diferente” - apontando a título de exemplo os ataques terroristas de Paris, em novembro último, que mostraram que a Europa pode ser atacada “com relativa facilidade, por uma estrutura tragicamente competente, como é o Daesh”, o autodenominado Estado Islâmico -, no qual “a Defesa está outra vez a ser chamada à ribalta”.

“Temos afirmado [na UE] uma Política Comum de Segurança e Defesa, que é muito pouco política, muito pouco comum, e muito pouco de segurança e defesa, ou será um pouco mais de segurança, mas é muito menos de defesa”, observou, acrescentando que tal se deve aos tratados reservarem essas questões para cada Estado, de forma soberana, mas também porque a maioria dos países da UE pertence também à NATO, “organização que tem assegurado esta função de defesa na história recente”, além de pertencerem às Nações Unidas, e, desse modo, acreditarem “numa abordagem multilateral”.

Todavia, salientou, isso tem levado a que nesta “abordagem tripartida” dos países europeus em matéria de Defesa, “tem sido sistematicamente sacrificada a abordagem da UE”, algo que defende que deve ser alterado agora.

“Portugal acentuou o seguinte: a estratégia global da UE não é evidentemente só segurança e defesa, mas não deixámos de chamar a atenção que se não tiver uma componente muito forte e muito robusta de defesa, então não é com certeza uma estratégia global”, considerou.

“Será outra coisa qualquer, também muito útil, mas não será com certeza uma estratégia global, porque hoje não é pensável a existência de atores globais sem ao mesmo tempo um grau mínimo de capacitação militar e de atuação conjunta integrada, e não dividida”, acrescentou.