A madrugada era de alerta máximo para o litoral, mas a noite acabou por revelar-se "extremamente calma", de acordo com fonte da Proteção Civil à TVI.

Entre a meia-noite e as 08:00 deste domingo houve registo de apenas 100 ocorrências em todo o país, nomeadamente inundações e queda de árvores. Um número que contrasta com o total de ocorrências desde sexta-feira, isto é, 1.353.

Lisboa foi o distrito que registou o maior número de ocorrências devido ao mau tempo, desde as 00:00 de sexta-feira, com 216.

A seguir a Lisboa, os distritos mais afetados pelo mau tempo foram Santarém e Porto com 124 e 116 ocorrências, respetivamente.

Devido à forte agitação marítima, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou sob aviso vermelho toda a costa litoral portuguesa até às 15:00 de hoje e até às 18:00 junto aos distritos de Leiria, Lisboa, Setúbal e Beja, onde estão previstas ondas de sudoeste com sete a oito metros, podendo atingir 14 metros de altura máxima.

Dez distritos de Portugal continental vão, contudo, manter-se em aviso laranja até às 09:00 de segunda-feira devido à agitação marítima.

Os restantes distritos do continente estão sob aviso amarelo, o terceiro mais grave, segundo informação disponível no site do IPMA.

A ilha do Porto Santo e a costa norte da Madeira também estão sob aviso laranja devido à agitação marítima.

Segundo a Marinha Portuguesa, o número de barras fechadas à navegação subiu de 16 para 19, mantendo-se quatro condicionadas.

Estão fechadas à navegação as barras marítimas de Caminha, Viana do Castelo, Póvoa do Varzim, Vila do Conde, Douro, Aveiro, Figueira da Foz, Nazaré, Peniche e Ericeira. Estão igualmente encerradas as barras marítimas de São Martinho do Porto, Nazaré, Lagos, Alvor, Portimão, Albufeira, Tavira e Vila Real de Santo António. Nos Açores, está encerrada a barra da Madalena do Pico. As barras de Sesimbra e Setúbal estão fechadas a embarcações de comprimento inferior a 11 metros e as de Olhão e Faro a barcos com comprimento inferior a 10 metros.

Para hoje, o IPMA prevê céu geralmente muito nublado, com abertas a partir da tarde na região Sul, e uma pequena descida da temperatura.

Estão também previstos períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes e de granizo, em especial nas regiões norte e centro até ao início da tarde, tornando-se pouco frequentes na região Sul a partir do meio da tarde. O vento soprará moderado a forte (30 a 45 km/h) de sudoeste, com rajadas até 85 km/h, soprando forte a muito forte (50 a 65 km/h) nas terras altas com rajadas até 110 km/h, rodando gradualmente para oeste a partir da tarde, e enfraquecendo para o final do dia.

O instituto prevê ainda queda de neve acima de 1000/1200 metros de altitude, subindo temporariamente a cota para 1200/1400 metros durante a tarde e condições favoráveis para a ocorrência de trovoada até meio da tarde.

Vento forte em sete ilhas dos Açores

O Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) alertou hoje para o que se espera ser uma "depressão com um sistema frontal associado" que deverá "provocar um aumento da intensidade do vento nos grupos Ocidental e Central".

Em causa estão as ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial, do grupo Central, e Flores e Corvo, do grupo Ocidental, escapando-se do alerta as ilhas de Santa Maria e São Miguel, do grupo Oriental.

O aviso para fortes ventos estima que, a partir de terça-feira de manhã, até à madrugada de quarta-feira, haja rajadas de perto de 100 quilómetros por hora.

Ligeira descida das águas na bacia do Tejo

Os níveis das águas na bacia do Tejo registam hoje uma “ligeira descida” devido ao decréscimo nos caudais lançados pelas barragens, mantendo-se, contudo, as recomendações feitas no sábado às populações ribeirinhas pela Proteção Civil.

Em comunicado divulgado hoje, o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém afirma que, segundo a informação disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e pela EDP Produção, os caudais descarregados no conjunto das barragens da Bacia do Tejo mantiveram-se abaixo dos 1.000 metros cúbicos por segundo ao longo da madrugada, prevendo-se a manutenção destes valores nas próximas horas.

“Na bacia hidrográfica do Sorraia, as barragens de Maranhão e Montargil continuam com capacidade de encaixe, não havendo qualquer descarga feita pelas mesmas”, sendo que os caudais hidrológicos verificados no rio Sorraia se devem a precipitação decorrente nessa bacia, afirma o comunicado.

“A estabilização dos caudais do rio Tejo não se pode ainda considerar como um desagravamento da situação de cheias, mantendo-se todas as recomendações plasmadas nos comunicados anteriores”, acrescenta.

Vias submersas

O Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo foi acionado no sábado em nível de alerta amarelo, devido à previsão de alagamentos e inundações decorrente da subida dos caudais do rio Tejo, tendo a população das zonas ribeirinhas do distrito sido aconselhadas a tomar medidas de precaução, como a retirada de equipamentos e de animais de zonas normalmente inundáveis e não atravessar, com viaturas ou a pé, estradas ou zonas alagadas.

Segundo o comunicado emitido hoje, neste momento estão submersos os caminhos municipais 1445, entre Rebolo e Biscainho, e 1427, entre Amieira e Raposeira, a estrada municipal 590, entre Couço e Santa Justa, e o caminho agrícola entre as estradas nacionais 114 e 251, no concelho de Coruche.

No concelho da Golegã, estão submersas a estrada municipal 1, estrada de Lázaros, e nacional 365, entre Pombalinho e Vale de Figueira, e no de Santarém as pontes dos Alcaides-Amajões e da Vala de Calhariz e o caminho municipal 1348, entre Ribeira de Santarém e Vale de Figueira.

Em Constância, mantém-se a submersão do parque de estacionamento junto ao rio Zêzere.