Uma aeronave aterrou de emergência nesta quarta-feira na praia de São João, na Costa da Caparica, Almada, provocando dois mortos, um homem e uma criança. Fonte do INEM confirmou à TVI que o alerta foi dado às 16:51. Segundo a Polícia Marítima, uma mulher terá ficado ferida no ombro, sem gravidade.

Inicialmente chegaram informações contraditórias quanto à idade das vítimas mortais. O porta-voz da Autoridade Marítima Nacional, o comandante Pedro Coelho Dias, confirmou que o homem tem 56 anos e a menina oito anos.

As vítimas, que não têm relação de parentesco, estavam à beira-mar quando foram atingidas mortalmente pela aeronave. 

"[As vítimas são] Uma criança com oito anos e um senhor com 56, que não têm relação de parentesco", sublinhou.

O INEM disse que não havia outras vítimas a registar, mas a Polícia Marítima confirmou que uma mulher, de 45 anos, ficou ferida no ombro, sem gravidade.

"Uma senhora que se terá magoado no ombro, nada de grave. Ao tentar proteger a neta enrolou-se por cima da neta e terá batido com o braço", informou Pedro Coelho Dias.

Os dois tripulantes do avião, um instruendo e um instrutor, ambos de nacionalidade portuguesa, saíram ilesos da ocorrência.  Foram ouvidos pelas autoridades e ficaram com termo de identidade e residência. Vão ser ouvidos na quinta-feira por uma procuradora do Ministério Público.

A TVI apurou que os tripulantes tentaram aterrar o aparelho de emergência na praia, mas atingiram o homem, a primeira vítima mortal. Já com uma asa partida, a aeronave ainda andou cerca de 50 metros até atingir mortalmente a criança.

As comunicações do aparelho com a torre de controlo do Aeródromo de Cascais revelam que piloto tentou aterrar na praia da Cova do Vapor, onde não havia banhistas. 

A TVI apurou também, que a aeronave era um Cessna 152, do Aeroclube de Torres Vedras, mas que está cedido à Escola de Aviação Aerocondor, também conhecida como G Air, de Ponte de Sor. O aparelho tinha partido de Cascais, onde a escola também opera, e tinha um plano de voo aprovado até Évora.

De acordo com a página da Proteção Civil, foram mobilizados 32 operacionais e 14 veículos. Para o local foram os Bombeiros de Cacilhas e Trafaria, uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Almada, elementos da Polícia Marítima e inspetores da Polícia Judiciária.

Para o local também foi enviado um psicólogo para prestar apoio aos familiares da vítimas.

A aeronave vai ser agora sujeita a perícias para averiguar o que aconteceu. Uma equipa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários foi para o local.

 

Escola diz que instrutor tinha "milhares de horas de pilotagem"

A escola de aviação já fez saber, em comunicado, que a aeronave estava em voo de treino com um aluno e um instrutor sénior com “elevada experiência e milhares de horas de pilotagem”. A escola confirmou que o aparelho foi alugado ao aeroclube de Torres Vedras, que era proprietário do aparelho e responsável pela manutenção.

O instrutor que se encontrava no aparelho tinha 56 anos e “elevada experiência e milhares de horas de pilotagem”.

A escola afirma que irá colaborar com as autoridades no apuramento das causas do acidente e endereça os pêsames aos familiares das duas vítimas mortais.

 

Amaragem seria situação normal em emergência junto a praia com pessoas

O ex-diretor do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) Álvaro Neves explicou que a amaragem é a situação normal quando uma aeronave precisa de aterrar de emergência junto a uma praia com pessoas.

Álvaro Neves, que atualmente é perito da European Aviation Safety Agency (Agência Europeia de Segurança da Aviação), disse à agência Lusa que, apesar de desconhecer os contornos do acidente ocorrido na praia de São João, o procedimento que se ensina nas escolas de aviação é o de amarar quando é necessária uma aterragem de emergência junto a uma praia com pessoas.

“O que se deve fazer é afastar-se para dentro do mar”, explicou à agência Lusa, adiantando que há outros procedimentos a ter em conta numa amaragem, como abrir a porta antes do impacto.

No entender de Álvaro Neves, a aflição do piloto no momento de um incidente pode fazer com que tente aterrar no areal, onde a aterragem é mais fácil.