Notícia atualizada às 14:58

Caças F-16 da Força Aérea Portuguesa intercetaram esta sexta-feira mais dois aviões militares russos a sobrevoar o espaço aéreo internacional sob jurisdição portuguesa, disse à Lusa fonte oficial do Governo.

Aviões russos em espaço português? «Nem na Guerra Fria...»

O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, disse esta sexta-feira que os caças F-16 portugueses terem intercetado «com sucesso» dois aviões militares russos em espaço aéreo sob jurisdição portuguesa significa que o «sistema funcionou mais uma vez».

«Fizeram, mais uma vez com total sucesso, a interceção e a identificação» de dois aviões militares russos em espaço aéreo sob jurisdição de Portugal e acompanharam-nos «até saírem» daquela área, disse o ministro da Defesa.

«Isto significa que o sistema funcionou mais uma vez, há de funcionar sempre que for necessário», frisou o ministro, que falava aos jornalistas no aeroporto de Lisboa, pouco depois de ter chegado a território nacional no regresso de uma visita de três dias à capital da Colômbia, Bogotá.

Na quarta-feira, dois caças F-16 portugueses ao serviço da NATO intercetaram, identificaram e escoltaram dois aviões militares russos em espaço aéreo internacional sob a responsabilidade de Portugal.

Segundo o ministro, «o que é importante neste momento deixar muito claro é que a prontidão com que os F-16 portugueses estão permite responder com eficácia àquilo que são as solicitações do comando aéreo da NATO».

A FAP está preparada para, «sempre que seja solicitado pelo comando aéreo da NATO, fazer este tipo de missões» e irá fazê-lo «sempre com a celeridade e a prontidão necessárias e foi mais uma vez isso» que aconteceu, sublinhou Aguiar-Branco.

«Temos condições para o fazer, o sistema funciona, mais uma vez isso ficou demonstrado e fizemo-lo com a celeridade e a prontidão que se exige», frisou, referindo que, «mais uma vez, a FAP correspondeu àquilo que são os requisitos da NATO».

A embaixada russa em Portugal afirmou na quinta-feira que os aviões russos intercetados por caças portugueses cumpriram o Direito Internacional e realizaram voos «em espaço aéreo sobre águas internacionais, não entrando de modo nenhum em espaços aéreos de outros Estados», segundo um comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA), nesse primeiro caso, foram «detetadas duas aeronaves não identificadas em espaço aéreo de responsabilidade portuguesa» e «acionados os meios de alerta previstos neste tipo de situações no quadro da NATO, tendo dois caças F-16 portugueses identificado duas aeronaves militares russas, que encaminharam para fora do espaço aéreo de responsabilidade nacional».

O ministro da Defesa português afirmou na ocasião que os aviões militares russos «não estavam a fazer a sua circulação nas condições necessárias em termos de tráfego aéreo internacional» e que o comando da NATO «solicitou a intervenção dos F-16» que «estão sempre em prontidão na Base de Monte Real», o que «significa que o sistema funcionou na normalidade».

De acordo com um comunicado da NATO divulgado na quarta-feira à noite, quatro grupos de aviões militares russos que nos últimos dois dias «realizaram manobras militares significativas» em espaço aéreo europeu foram intercetados por aviões aliados.

Os aparelhos russos, que incluíam bombardeiros, caças e aviões-cisterna, foram detetados sobre o Mar Báltico, Mar do Norte/Oceano Atlântico e Mar Negro..