Um homem acusado de assaltar a residência da ex-companheira no concelho de Águeda, Aveiro, sequestrando e agredindo a dona da habitação e a empregada, confessou hoje, em tribunal, os crimes, alegando que agiu por motivos passionais.

«Foi uma loucura que fiz. Não tem justificação. Tinha uma fixação enorme por esta senhora. Dei cabo da minha vida. Isto é passado», disse o arguido, durante a primeira sessão do julgamento, no tribunal de Aveiro.

Os factos ocorreram na madrugada de 31 de março de 2014.

Segundo a acusação, o antigo operário fabril e segurança, atualmente reformado, não se conformou com o fim da relação, em finais de 2012, e engendrou um plano para convencer a ex-companheira que corria risco de vida e destruir o negócio, um salão de cabeleireiro e esteticista.

O arguido introduziu-se na habitação onde se encontravam as duas vítimas, tendo manietado e amarrando as mesmas com cordas.

Apesar de levar um gorro na cabeça e estar a disfarçar a voz, a ex-companheira acabou por reconhecer o suspeito, que a agrediu e ameaçou com uma faca e uma pistola de plástico.

O sequestro durou mais de quatro horas, tendo as vítimas conseguido libertar-se, após a fuga do arguido que levou consigo alguns objetos em ouro e prata, um mealheiro contendo cerca de cem euros em moedas de um e dois euros e vários cartões multibanco.

Após abandonar o local do primeiro crime, o arguido ateou fogo a uma habitação situada a cerca de 30 metros da residência assaltada, onde a ex-companheira tinha o salão de cabeleireiro, provocando um prejuízo superior a 50 mil euros.

O homem, que se encontra sujeito à medida de coação de obrigação de permanência na habitação, com vigilância eletrónica, está acusado dos crimes de roubo qualificado, sequestro e incêndio.