O Tribunal de Aveiro condenou hoje a seis anos de prisão efetiva, em cúmulo jurídico, um homem acusado de ter tentado matar a ex-companheira e um vizinho desta, por motivos passionais.

Os factos remontam a 08 de abril de 2013, quando o arguido se deslocou ao prédio onde a ex-companheira vivia, no centro da cidade de Aveiro, levando consigo uma arma e uma mochila contendo cordas, x-atos, fita adesiva, uma faca de cozinha e combustível.

Depois de tocar à campainha, o homem disparou um número não apurado de tiros de revólver contra a porta do apartamento e ainda baleou um morador que o surpreendeu, quando descia as escadas.

Antes disso, o arguido já tinha agredido a mulher no estabelecimento onde aquela trabalhava e chegou a ameaçá-la várias vezes de morte.

Durante a leitura do acórdão, a juíza presidente disse que o tribunal «não teve dúvidas de que o arguido tinha a intenção de matar» a ex-companheira.

«Só não conseguiu matá-la, porque nenhum projétil atravessou a porta, que era blindada», explicou a magistrada.

A juíza referiu-se ainda aos objetos que o arguido levava na mochila, afirmando que «isto vai ao encontro do tipo de ameaças» que aquele fazia à mulher, quando dizia que a cortava e desfigurava.

O tribunal deu ainda como provado que o arguido não foi interpelado pelo vizinho que foi baleado, quando os dois se cruzaram nas escadas, ao contrário do que o detido alegava.

«Não houve qualquer contacto físico. O senhor estendeu os braços ao longo do corpo, não disse nada e, mesmo assim, o arguido apontou a pistola para a zona genital e disparou», disse a juíza.

O arguido foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado na forma tentada (quatro anos), ofensa à integridade física grave na forma tentada (dois anos e oito meses), violência doméstica (um ano e nove meses) e detenção de arma proibida (um ano e nove meses).

Em cúmulo jurídico, o tribunal aplicou ao arguido uma pena única de seis anos de prisão.

Apesar de ter admitido que estava arrependido, a juíza sublinhou que o detido «não teve uma palavra para as vítimas, preocupando-se, sobretudo, em desculpabilizar-se dizendo que perdeu a cabeça».

Durante o julgamento, o arguido confessou todos os factos que constam da acusação, mas assegurou que nunca teve intenção de matar ninguém.

«Estava nervoso e a chorar», afirmou o arguido, assumindo que andava «tresloucado» após a ex-namorada ter posto fim ao relacionamento, que durava há cerca de seis anos.

O detido vai manter-se em prisão preventiva a aguardar o trânsito em julgado da decisão.