Um arrumador de carros acusado de ter matado à paulada a sua companheira, por motivos passionais, confessou os crimes no tribunal de Aveiro, onde o caso começou esta segunda-feira a ser julgado.

O crime ocorreu na madrugada de 12 de dezembro de 2012, no interior de um posto de transformação de eletricidade desativado, junto às instalações do antigo centro de saúde mental, em S. Bernardo, onde o casal sem-abrigo pernoitava.

Perante o coletivo de juízes, na primeira sessão do julgamento, o homem, de 45 anos, explicou que matou a mulher por causa dos ciúmes e pelo facto de esta estar alcoolizada.

«Eu amava-a muito. Éramos felizes no amor, mas não éramos felizes quando estávamos alcoolizados», afirmou o homicida confesso, queixando-se de que foi a mulher que começou a bater-lhe com o pau.

O arguido, que se mostrou «muito arrependido», disse ainda em tribunal que tentou socorrer a companheira quando a viu prostrada no chão, mas esta já estaria morta.

Nas alegações finais, a procuradora do Ministério Público (MP) pediu uma pena «muito severa» para o arguido, devido à gravidade dos crimes, afirmando que a sua versão dos acontecimentos «não se coaduna com quem tem algum arrependimento».

«O estado em que ficou a vítima, só se compreende num uso absolutamente descontrolado de violência», sustentou a magistrada, chamando a atenção para o elevado número de lesões apresentadas pela falecida, descritos no relatório de autópsia com cinco páginas.

Por seu lado, a advogada de defesa disse acreditar no arrependimento do seu cliente e referiu que o coletivo de juízes deve ter em conta que o arguido assumiu todos os factos e tentou colaborar com o tribunal.

O arguido, que se encontra em prisão preventiva, está acusado de um crime de homicídio qualificado, outro de violência doméstica e dois crimes de ofensas à integridade física qualificada.

Segundo a acusação do MP, o homem agrediu com um pau a sua companheira, que estaria embriagada, e asfixiou-a com uma almofada.

O MP sustenta que o homicídio ocorreu após vários meses de violência doméstica. Em resultado desse relacionamento, a mulher deu entrada, por várias vezes no Hospital de Aveiro.

Durante uma dessas discussões, o indivíduo terá ainda esfaqueado dois homens que se intrometeram para tentar defender a vítima mortal, num relato da Lusa.