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Santa Maria: médicos dizem que não foi dado Avastin a cegos

Dois oftalmologistas depuseram esta tarde em tribunal

Por: tvi24  |  9- 2- 2012  21: 2

Olhos (arquivo)

Os dois oftalmologistas do Hospital de Santa Maria que esta tarde depuseram no Tribunal de Lisboa no processo do caso dos «cegos» defenderam que o medicamento ministrado aos seis pacientes não foi Avastin, noticia a Lusa.

Joaquim Canelas, assistente graduado do serviço de oftalmologia do Hospital de Santa Maria e responsável pela equipa de clínicas no serviço de oftalmologia a 17 de Julho de 2009, disse hoje perante o colectivo de juízes do Tribunal Criminal de Lisboa que a cegueira total ou parcial dos seis pacientes injectados naquele hospital a 17 de Julho de 2009 «não pode ter tido origem infecciosa», mas sim «tóxica».

«Não se isolaram agentes infecciosos às análises que foram feitas aos pacientes na altura ¿ tanto ao sangue, como ao humor vítreo ¿ pelo que, a endoftalmite que apresentavam só podia ter origem séptica», disse, admitindo que o medicamento ministrado aos doentes não pode ter sido Avastin.

Para este médico, o medicamento ministrado aos doentes não foi o Avastin, uma vez que os resultados das análises efectuadas aos pacientes, depois de estes terem voltado a ser internados naquela unidade hospitalar com sintomas de cegueira, terem determinado valores completamente opostos ao que era suposto se os pacientes tivessem sido inoculados com aquele fármaco.

De acordo com Joaquim Canelas, a presença de indícios daquele medicamento permaneceria durante três semanas tanto no humor vítreo como no sangue dos pacientes.

Já para outra médica que também depôs, a presença do fármaco no sangue seria de menos tempo já que se diluiria na circulação periférica.

Tese oposta sustentou o advogado de defesa de Hugo Dourado, farmacêutico naquele serviço à data dos factos e co-arguido no processo, que citou um relatório do Infarmed que indica que a presença daquela substância no sangue não perdura por mais de «três ou quatro dias».

Joaquim Canelas refutou completamente a hipótese de o medicamente ministrado aos doentes ter sido o Avastin ainda que este pudesse ter sido «contaminado».

Os factos remontam a 17 de Julho de 2009 quando seis pacientes cegaram total ou parcialmente depois de terem sido submetidos a tratamento com injectáveis no serviço de oftalmologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Os pacientes deviam ter sido inoculados com Avastin, uma substância utilizada no tratamento de retinopatias diabéticas, de que todos os doentes padeciam ainda que com tipologias diferentes.

Joaquim Canelas admitiu que à data dos factos desconhecia como se preparavam os medicamentos na altura ¿ o que ainda acontece hoje ¿ e sublinhou que agora sabe como se preparam as injecções de Avastin, por actualmente serem os médicos a fazê-lo e já em meio cirúrgico.

O Avastin é preparado pelos médicos desde Dezembro de 2010, altura em que o serviço de oftalmologia de Santa Maria retomou as inoculações daquele fármaco, cuja utilização injectável em doentes do foro oftálmico esteve suspensa de Julho de 2009 a Dezembro de 2010.

Por seu turno, a oftalmologista Belmira Beltran, uma das médicas que administrou o injectável corroborou a tese do colega de que o medicamento ministrado não terá sido Avastin.

«Nunca vi um quadro clínico com tanta gravidade como o que apresentavam os pacientes que foram internados na segunda-feira [seguinte à inoculação]», disse.

A médica contou que a 20 de Julho um dos seis pacientes tratados com injectável se encontrava já no hospital, tendo esta unidade hospitalar contactado todos os pacientes tratados com injectável no dia 17 de Julho.

Naquele dia foram ministrados injetáveis a 12 pessoas: seis com Avastin e seis com Lucister, sendo que nenhum dos pacientes tratados com Lucister apresentava sintomas anómalos.

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