Os turistas que visitam Lisboa podem encontrar livros traduzidos de grandes autores portugueses numa livraria móvel, a funcionar numa carrinha que circula por vários locais turísticos, uma forma de mostrar Portugal «pelos olhos» dos escritores.

O projeto «Tell a Story» saiu para a rua há duas semanas, mas Domingos Cruz, um dos sócios, teve esta ideia há mais de um ano, quando quis oferecer um exemplar d' «Os Maias» a um amigo chileno. Descobriu um nicho de mercado.

«Lisboa está tão ancorada na imagem de Fernando Pessoa, mas havia uma falha na oferta de livros em línguas estrangeiras», referiu à Lusa.

Inicialmente, Domingos Cruz, a quem entretanto se juntaram dois sócios, procurou uma livraria, mas «o modelo de negócio não é fácil, por causa das margens» e por isso avançou com a ideia de uma livraria móvel, convertendo uma carrinha dos anos 70.

António Lobo Antunes, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Gonçalo M. Tavares, Jacinto Lucas Pires, José Cardoso Pires, José Luís Peixoto, José Saramago, Miguel Sousa Tavares, Miguel Torga e Sophia de Mello Breyner são os autores que a «Tell a Story» disponibiliza, com algumas das obras traduzidas em inglês, francês, espanhol e alemão.

A carrinha funciona todos os dias, exceto à segunda-feira, entre as 10:00 e as 20:00 e costuma estar num local de Lisboa de manhã e noutro à tarde. Nestas duas semanas de funcionamento, os responsáveis do projeto já perceberam alguns segredos do negócio.

«Em Belém há muitos turistas, mas a maioria está mais focada em excursões organizadas. Já no Príncipe Real o turista fica ali a ver os livros, a conversar connosco, está mais desperto para aquela realidade», exemplificou Domingos Cruz.

Por outro lado, a procura de turistas franceses ultrapassa largamente as restantes nacionalidades, o que já obrigou a «Tell a Story» a reforçar as encomendas de livros traduzidos para francês.

Até agora, «tem corrido bem», afirmou Domingos Cruz, acrescentando: «Não é o negócio da China, mas tem esta parte romântica de contraciclo».

Os turistas são os principais destinatários, mas a livraria também tem recebido a atenção de portugueses, que compram os livros porque gostam de ler noutras línguas ou para os oferecerem a amigos estrangeiros, conta a Lusa.